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O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e a Embrapa Agrobiologia firmaram, em agosto de 2025, um acordo de cooperação técnica que marca um avanço estratégico para o fortalecimento da agricultura sustentável no país. A parceria tem como foco o desenvolvimento de metodologias e padrões metrológicos aplicados aos bioinsumos, produtos biológicos que contribuem para a produtividade e a saúde das lavouras.
Conduzido pela Diretoria de Metrologia Científica, Industrial e Tecnologia (Dimci) do Inmetro, por meio da Divisão de Metrologia em Biologia (Dibio), o projeto intitulado “Caracterização de microrganismos em formulações de inoculantes para a garantia da qualidade e rastreabilidade voltadas para serviços, produtos e processos no setor agropecuário” busca aprimorar a confiabilidade das medições e metodologias relacionadas a produtos de base microbiana usados na agricultura.
Os inoculantes são produtos compostos por microrganismos vivos aplicados às sementes, ao solo ou diretamente nas plantas. Esses microrganismos colonizam a rizosfera e auxiliam na absorção de nutrientes, protegendo as culturas contra pragas e doenças. “Esses microrganismos atuam como aliados naturais das plantas, contribuindo para a produtividade e a sustentabilidade agrícola”, explicou a chefe do Laboratório de Microbiologia do Inmetro, Juliana Lopes Martins.
A diretora da Dimci, Danielle Assafin, destacou que o acordo inaugura uma frente de atuação estratégica para o Inmetro. “É o início de uma atuação sólida na oferta de confiança metrológica aplicada à microbiologia industrial e agrícola, promovendo inovação, segurança e sustentabilidade na produção de bioinsumos no Brasil”, afirmou.
Segundo a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII), o Brasil comercializa cerca de 140 milhões de doses de inoculantes por ano, e o uso desses produtos cresceu 13% na safra 2024/2025, alcançando uma área tratada de 156 milhões de hectares. O aumento é impulsionado pela busca global por soluções sustentáveis e pela Lei nº 15.070/2024, que criou o marco regulatório dos bioinsumos, simplificando o registro de itens de baixo risco e estimulando a produção e a inovação.
Para a chefe da Dibio, Luciene Balottin, a infraestrutura da qualidade é essencial nesse novo cenário. “Ela garante a segurança, a eficácia e a confiabilidade dos produtos, fortalecendo a transição para uma agricultura de baixo impacto ambiental”, ressaltou.
A Embrapa Agrobiologia, localizada em Seropédica (RJ), é referência em tecnologias baseadas em processos biológicos e abriga o Centro de Recursos Biológicos Johanna Döbereiner (CRB-JD), que reúne mais de 6 mil microrganismos reconhecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) como banco oficial de germoplasma microbiano.
O pesquisador Stefan Schwab, coordenador da iniciativa pela Embrapa, destacou que a parceria permitirá o desenvolvimento de metodologias com maior rigor científico. “O Inmetro conta com excelente infraestrutura laboratorial e especialistas em metrologia biológica, além de um curso próprio de pós-graduação. Esses recursos fortalecerão as pesquisas da Embrapa e ampliarão o alcance dos resultados”, explicou.
Com a cooperação, Inmetro e Embrapa buscam consolidar um ecossistema de inovação e rastreabilidade metrológica, transferindo conhecimento a laboratórios, indústrias e ao MAPA. A meta é garantir a qualidade dos bioinsumos e fomentar o desenvolvimento de Materiais de Referência Certificados (MRCs), fortalecendo a competitividade da agricultura brasileira em bases sustentáveis.
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