
Projeto atende mais de 70 alunos Sateré-Mawé com reforço escolar inclusivo e foco na valorização cultural (Foto: Divulgação)
Com o objetivo de fortalecer o aprendizado e garantir acesso a uma educação inclusiva, o projeto Mu’ap Pakup vem transformando a realidade de alunos indígenas Sateré-Mawé no município de Barreirinha. A iniciativa atende mais de 70 estudantes do ensino fundamental, do 1º ao 9º ano, matriculados nas escolas municipais Bom Socorro, Lena Bahia e Hilma Dutra.
Lançado em abril deste ano pela Prefeitura de Barreirinha, o projeto oferece reforço escolar bilíngue como ferramenta para superar barreiras linguísticas e pedagógicas, sem abrir mão da preservação cultural. As atividades são realizadas de segunda a sexta-feira, nos turnos da manhã e da tarde, em turmas reduzidas de até 10 alunos.
A professora de Matemática, Renata Ribeiro, explica que o acompanhamento começa com testes diagnósticos para identificar o nível de cada aluno. “Muitos chegam sem saber ler ou contar, mas com paciência e acompanhamento individualizado estamos vendo avanços reais. É um processo lento, mas sólido”, afirmou.
Um dos diferenciais do Mu’ap Pakup é a presença de professores bilíngues, que fazem a mediação entre a língua Sateré-Mawé e o português. Para muitos alunos, a primeira língua é a indígena, o que dificulta o entendimento do conteúdo escolar tradicional.
“Eles vêm da área, muitos falam predominantemente a língua indígena e enfrentam dificuldades para acompanhar as aulas. Com o suporte dos professores bilíngues, conseguimos traduzir não só o conteúdo, mas também a lógica da aula, tornando o ensino acessível e respeitoso à cultura deles”, reforçou Renata.
O projeto conta com uma equipe multidisciplinar formada por quatro professores bilíngues, uma professora de matemática, uma de português e um de educação física, que também integra a rotina pedagógica.
Para as famílias, o impacto é visível. A mãe de uma aluna, Ilca Cabral, relatou avanços significativos: “Minha filha já sabe ler graças ao apoio que recebeu. Não foi apenas ela, mas também outras crianças que participam e estão se desenvolvendo”.
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