
Fundada em 1904, a Grande Loja Maçônica do Amazonas é pioneira no país, viveu papel abolicionista e mantém hoje presença até em Anamã, com templo sobre palafitas (Foto: M33)
A Grande Loja Maçônica do Amazonas (Glomam) completou neste 22 de setembro 121 anos de fundação, consolidando-se como a mais antiga das Grandes Lojas brasileiras. Criada em 1904, em Manaus, a instituição marcou a história do estado com protagonismo cívico, envolvimento no abolicionismo e presença contínua na vida social e cultural da Amazônia.
A maçonaria no Amazonas tem raízes anteriores à Glomam, com a criação da Loja Esperança e Porvir nº 1 em 1872, que teve papel decisivo na luta pela abolição da escravatura, alcançada no estado em 1884.
No dia 22 de setembro de 1904, sob inspiração de líderes locais e apoio de 14 lojas fundadoras, foi instituído o Grande Oriente do Amazonas, origem da atual Glomam. O marco da autonomia veio em 24 de junho de 1927, quando, sob a liderança do grão-mestre Gaspar Antônio Vieira Guimarães, a potência proclamou sua soberania.
Ao longo de mais de um século, a Glomam foi conduzida por nomes que se confundem com a política e a história do Amazonas. Entre eles, destacam-se Raimundo Perdigão (primeiro grão-mestre), Silvério Nery (ex-governador), Gaspar Guimarães e Hamilton Mourão, avô do ex-vice-presidente da República.
Um dos marcos mais recentes da Glomam é a criação da ARLS Glória de Anamã nº 50, cujo templo foi construído sobre palafitas para enfrentar as cheias do rio Solimões. Inaugurado em dezembro de 2021, é reconhecido como o único templo maçônico do mundo erguido em palafitas, símbolo da adaptação amazônica e da interiorização da maçonaria no estado.

Foto: Reprodução
A Glomam também conquistou destaque fora do país. Em 2018, foi reconhecida pela United Grand Lodge of England (UGLE), potência inglesa que referencia a regularidade mundial da maçonaria. O ato foi formalizado em Londres em 2025, consolidando a presença amazonense no cenário internacional.
Em 2025, a Glomam recebeu um terreno em Japurá para construção de um novo templo e instalou em Maraã o Capítulo DeMolay Cavaleiros da Justiça nº 1234, ampliando sua presença no interior do estado e envolvendo novas gerações no trabalho maçônico.
À frente da instituição está o grão-mestre Tufi Salim Jorge Filho, empossado em setembro de 2025 para o triênio 2025–2028, após suceder Marcelo Barbosa Peixoto, que havia conduzido a realização da 54ª Assembleia Geral da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), sediada em Manaus.
A Glomam chega aos 121 anos como uma instituição que conecta passado e futuro: guardiã de tradições históricas, mas também inovadora ao fincar estacas de madeira sobre águas amazônicas e erguer templos únicos no mundo.
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