
A DPE-AM será representada pelo defensor público geral, Rafael Barbosa (foto), e pelo defensor Carlos Almeida. Foto: Divulgação
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) será uma das instituições brasileiras presentes na Conferência Internacional “Governança Metropolitana Rumo a 2050: Perspectivas da ZMVM para o Sul Global”, organizada pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). O evento acontece nos dias 11 e 12 de setembro e reunirá autoridades, pesquisadores e gestores de diferentes países para discutir soluções de planejamento urbano, desenvolvimento sustentável e políticas públicas para grandes centros urbanos.
A DPE-AM será representada pelo defensor público geral, Rafael Barbosa, e pelo defensor Carlos Almeida, um dos responsáveis pelo projeto Cinturão Verde, que será apresentado no evento. Ambos participarão dos debates que integram o eixo do Arco Sul, dedicado às experiências de governança na América do Sul.
“O Cinturão Verde é uma proposta que nasce na Amazônia, mas dialoga com os desafios de todo o Sul Global. Levar essa experiência para um palco internacional é mostrar que a Defensoria Pública pode ser também uma voz ativa na construção de políticas públicas sustentáveis”, disse Rafael Barbosa.
O Cinturão Verde é um projeto da Defensoria Pública do Estado do Amazonas que busca criar uma política pública para garantir segurança fundiária, desenvolvimento socioeconômico e preservação ambiental nas comunidades rurais do entorno de Manaus. Ele atua em conflitos fundiários, promove a fixação de populações no campo através da agricultura familiar e busca o desenvolvimento sustentável da região, visando também conter a especulação imobiliária.
O convite à Defensoria partiu de indicação do professor Eduardo Sá, da Universidade de São Paulo (USP), que acompanha debates globais sobre governança metropolitana. O projeto Cinturão Verde, desenvolvido pela DPE-AM, despertou interesse dos organizadores pela inovação e potencial de impacto social e ambiental.
Para o defensor público Carlos Almeida, a presença da Defensoria em um debate internacional reforça o papel institucional de propor soluções estruturais além da atuação judicial cotidiana.
“Significa muito para a Defensoria ter iniciativas como o Cinturão Verde discutidas em nível internacional porque mostram tanto a importância da construção de soluções de base quanto de alternativas estruturais mais profundas, que vão além do conserto pontual de problemas isolados”, disse.
Na conferência, Carlos Almeida vai apresentar a experiência de Manaus e da Região Metropolitana no contexto do Sul Global. O enfoque será o equilíbrio socioeconômico e ambiental, com atenção especial aos impactos das mudanças climáticas na Amazônia.
“A discussão sobre a ecopolítica é essencial, principalmente olhando para 2050. Manaus enfrenta secas severas, queimadas e isolamento em relação a grandes centros. Isso exige soluções criativas que conciliam desenvolvimento e preservação ambiental”, afirmou.
Segundo ele, a conferência permitirá também a troca de experiências com representantes de diferentes continentes: “Estamos falando de interlocutores da África e de outros locais que também enfrentam dificuldades semelhantes. É um intercâmbio que pode trazer ideias mais eficientes para nossa realidade”, completou.
A participação da Defensoria inclui ainda a apresentação de outros projetos em andamento no Amazonas, além da busca por parcerias acadêmicas e institucionais para os próximos anos. De acordo com Rafael Barbosa, os resultados do evento devem orientar novas linhas de ação para a consolidação do projeto em 2026.
“O Amazonas precisa estar no centro do debate global sobre sustentabilidade e justiça socioambiental. Estar em uma conferência desse porte reforça que nossas propostas têm relevância internacional e que a Defensoria está comprometida em levar soluções concretas à sociedade”, afirmou.
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