
Caprichoso moderniza Estatuto em meio a polêmica judicial
Na noite desta sexta-feira (30), a Associação Cultural Boi Caprichoso realizou uma Assembleia Geral Extraordinária que reuniu Conselhos, Comissões, Administradores, sócios fundadores, contribuintes e beneméritos. O encontro tratou de pautas decisivas para o futuro da entidade, resultando na aprovação de uma série de mudanças no Estatuto Social, na criação da modalidade sócio-torcedor e na implantação do sistema eletrônico de votação.
O texto aprovado mantém a base de 2015, mas introduz atualizações como a substituição de termos defasados — “índio” passa a “povos originários” —, dispositivos de responsabilização de gestores por danos ao patrimônio, além da criação da Diretoria Ambiental, voltada para práticas sustentáveis. Também ganhou destaque o fortalecimento do Conselho de Ética, que passa a ter regras mais detalhadas para apuração de denúncias.
A Assembleia regulamentou a modalidade Sócio-Torcedor, já prevista, mas sem regras claras de ingresso, agora disciplinada por regulamento específico. Foi aprovada ainda a abertura de novas indicações para sócios contribuintes, com reajuste da joia para 25% do salário mínimo vigente.
Outro ponto considerado avanço foi a inclusão de dispositivos que permitem o uso de urnas eletrônicas nas eleições internas, garantindo maior transparência no processo.
O presidente Rossy Amoedo defendeu as mudanças como um marco de modernização.
“O novo Estatuto moderniza a Associação, blinda o Boi contra qualquer má gestão, fortalece a responsabilização dos gestores e valoriza ainda mais os nossos sócios”, afirmou.
Apesar do discurso oficial de modernização, o processo não passou incólume. O sócio Afrânio Gonçalves, juiz aposentado do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (RO/AC), ingressou com ação judicial contra a alteração estatutária. Ele argumenta que o edital de convocação da Assembleia deveria ser mais específico e que a forma como as mudanças foram conduzidas abre um perigoso precedente para futuras alterações.
Mesmo com a contestação, as propostas foram aprovadas no que críticos chamam de “rolo compressor” comum às diretorias estabelecidas do Caprichoso, com pouco espaço para divergências efetivas no plenário.
A aprovação do novo Estatuto projeta o Caprichoso para um modelo de gestão considerado mais moderno, mas deixa em aberto um debate importante: até que ponto mudanças estruturais em associações culturais devem ser feitas com maior tempo de discussão e transparência, garantindo participação real da base social?
Para apoiadores, o novo texto traz avanços inegáveis. Para os críticos, a forma como foi conduzido reforça práticas de centralização de poder, típicas da história administrativa do bumbá.
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