
Cordas da Amazônia reúne Djalma (esquerda), Nato (centro), Moacir (camisa azul) e Kokó (direita), em grande momento de interseção Amazonas-Pará
O Largo de São Sebastião, no entorno do Teatro Amazonas, coração da vida cultural de Manaus, será palco no próximo 17 de setembro, às 19h, do evento Unidos Pela Arte – Amazonas e Pará: Cordas da Amazônia. Idealizado pelo artista Kokó Rodrigues, o concerto gratuito aproxima duas tradições musicais que dividem histórias, laços afetivos e uma rica produção cultural.
O projeto propõe valorizar as afinidades entre os dois Estados, que compartilham divisa e vínculos culturais profundos. No palco, essas conexões se materializam por meio do violão, do choro e da canção amazônica.
A cantora Simone Ávila abrirá e encerrará a programação com duas músicas em cada momento — uma representando o Amazonas e outra o Pará — simbolizando o intercâmbio artístico que sustenta o projeto.
O grupo Ariel Arfaxade e os amazonenses do choro vêm a seguir, mostrando outra faceta de alto nível musical.
Entre os convidados, o multi-instrumentista Marcelo Ramos, 26 anos, de Belém, conhecido como “A Fúria do Guamá”, traz a energia da juventude. Tocando diversos instrumentos, ele personifica a renovação musical paraense e a vitalidade criativa da Amazônia.
Um dos momentos mais esperados será a presença de Moacir Santos (Moacir Vicente de Paula Santos), de Santarém, reverenciado como “mestre dos mestres”. Importante destacar: trata-se de um homônimo do maestro carioca Moacir Santos, falecido em 2006, um dos maiores nomes da música brasileira.
O Moacir de Santarém construiu trajetória sólida como professor e referência do violão. Foi mestre de Sebastião Tapajós, violonista de projeção internacional, e também ensinou o atual governador do Amazonas, Wilson Lima, que toca violão.
Moacir e Domingos Djalma Rego Pereira, que também estará no show, viveram momentos de grande repercussão nacional ao se apresentarem no Domingão do Faustão, onde encantaram o público tocando violão a quatro mãos, em performance que marcou época.
A relação entre Moacir Santos e Sebastião Tapajós sintetiza o papel de Santarém como celeiro de talentos do violão amazônico. Foi ali que se forjou uma tradição que une técnica refinada, identidade regional e reconhecimento internacional.
Além de Tapajós e Moacir, a cidade revelou outros nomes como Nato Aguiar e Domingos Djalma Rego Pereira, que seguem difundindo a escola santarena e mantendo viva uma herança musical que atravessa gerações. Essa força cultural consolidou Santarém como um dos polos mais respeitados da música instrumental brasileira.
De Santarém também vem o violonista e cantor Nato Aguiar, reconhecido no Pará por sua autenticidade e pelo compromisso com a tradição regional. Junto dele, se apresenta Domingos Djalma Rego Pereira, primo de Sebastião Tapajós e também violonista, fortalecendo uma linhagem que deixou marcas no cenário nacional do violão.
O Largo de São Sebastião, cercado pelo Teatro Amazonas e pela Igreja de São Sebastião, é um dos espaços mais emblemáticos da vida cultural de Manaus. Receber o “Cordas da Amazônia” reafirma sua vocação de palco para encontros que mesclam tradição e inovação.
Patrocinado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, dirigida por Caio André, o evento se insere em uma agenda que valoriza a diversidade cultural amazônica.
Mais do que um espetáculo, o Unidos Pela Arte se apresenta como um manifesto musical: mostrar que, entre Amazonas e Pará, a música é divisa simbólica que não separa, mas une.
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