
A proposta foi debatida nesta quinta na Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (ESAT/UEA), (Foto: Divulgação]
O Beiradão, expressão cultural que une música, dança e modos de vida amazônicos, pode ganhar o reconhecimento de Patrimônio Imaterial Brasileiro. A proposta foi debatida nesta quinta-feira (21) durante a Oficina de Registro do Beiradão: Inventário Participativo, realizada na Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (ESAT/UEA), como parte do 1º Festival do Beiradão do Amazonas.
Com mediação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a oficina reuniu pesquisadores, músicos e produtores culturais que defendem a patrimonialização desse movimento nascido às margens dos rios amazônicos e consolidado a partir da década de 1980 como símbolo da identidade regional.
O encontro contou com nomes como Eliberto Barroncas, Rafael Ângelo, Paulo Moura e Hadail Mesquita. Para Moura, coordenador do festival, o reconhecimento é fundamental para dar visibilidade ao movimento. “O Beiradão gera emprego, renda, está presente nos 62 municípios do Amazonas e tem mais de 200 músicos se declarando beiradeiros. Queremos que o Ministério da Cultura reconheça oficialmente essa cultura como patrimônio do Brasil”, afirmou.
Segundo a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, o processo será conduzido de forma participativa, valorizando a memória e os saberes dos próprios fazedores da cultura. “Nosso papel foi mostrar como funciona o registro de um bem cultural. Todo o caminho será feito em conjunto, garantindo que as características do Beiradão sejam preservadas”, destacou.
Reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Amazonas desde 2023, o Beiradão já tem um dia oficial de celebração: 3 de outubro, instituído por lei estadual em 2024. Agora, a mobilização busca ampliar esse status para o nível nacional.
O festival segue até esta sexta-feira (22), com encerramento no Largo de São Sebastião, em Manaus. A programação reúne shows de artistas como Nunes Filho, Márcia Novo, Hadail Mesquita e a Orquestra de Beiradão do Amazonas, além de barracas de comidas típicas e artesanato.