07/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Butantan desenvolve anticorpo monoclonal contra Zika com foco na proteção de gestantes

Publicado em 06 de agosto, 2025

Butantan desenvolve anticorpo monoclonal contra Zika com foco na proteção de gestantes

Medicação poderá ser usada de forma preventiva em áreas de surto e complementará a ação de vacinas já em desenvolvimento. (Foto: Reprodução)

O Instituto Butantan está desenvolvendo um novo medicamento baseado em anticorpos monoclonais para combater o vírus Zika, com foco especial na proteção de gestantes. A iniciativa visa oferecer uma alternativa preventiva em regiões onde há risco de surto da doença, especialmente entre mulheres grávidas, que podem transmitir o vírus ao feto, resultando em malformações como a microcefalia.

Segundo o diretor do Instituto, Esper Kallás, os anticorpos monoclonais estão sendo desenvolvidos em escala farmacêutica na fábrica própria do Butantan, o que permitirá o início de estudos clínicos nos próximos anos. O medicamento é fruto de uma parceria com a Universidade Rockefeller, dos Estados Unidos, que licenciou os anticorpos após testes laboratoriais promissores.

O imunologista Michel Nussenzweig, responsável pela descoberta, isolou anticorpos com forte capacidade de neutralização do Zika e os testou com sucesso em modelos animais. Agora, o desafio é avançar para testes clínicos em humanos, o que deve incluir diversas etapas, desde a definição da dose ideal até a avaliação da segurança, especialmente para o uso em grávidas.

“O anticorpo monoclonal anti-Zika seria um medicamento preventivo, uma imunoterapia passiva onde a mulher receberia um anticorpo pronto. Seria uma das formas de proteger mulheres em idade reprodutiva, e principalmente as grávidas, de se infectarem pelo vírus durante a gestação”, explica Kallás.

Prevenção reforçada

O novo medicamento surge como uma resposta a possíveis novos surtos. Entre 2015 e 2017, durante a emergência em saúde pública causada pelo vírus Zika no Brasil, 4.595 crianças nasceram com microcefalia, número alarmante se comparado aos 6.267 casos registrados ao longo de toda a década anterior (2010–2019).

Apesar do avanço, o anticorpo monoclonal não substitui o desenvolvimento de uma vacina, que também está sendo estudada pelo Butantan. Segundo o instituto, o mAb (anticorpo monoclonal) pode ser utilizado como medida complementar, especialmente em situações onde a proteção vacinal não é garantida.

“O mAb pode servir como um reforço, principalmente em áreas onde mulheres não foram vacinadas ou quando há dúvida sobre a eficácia prolongada do imunizante. Nenhuma vacina oferece 100% de proteção”, afirma Kallás.

A pesquisa ainda está em estágio inicial e deve seguir rigorosas etapas de validação antes de ser aplicada em larga escala. Se os testes clínicos confirmarem sua eficácia e segurança, o anticorpo monoclonal poderá se tornar uma importante ferramenta de combate à Zika, principalmente para proteger gestantes em áreas de maior risco.

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