04/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Seis peixes-boi-da-Amazônia são devolvidos à natureza em ação liderada pelo Ibama

Publicado em 06 de agosto, 2025

Seis peixes-boi-da-Amazônia são devolvidos à natureza em ação liderada pelo Ibama

A ação integra os esforços do Programa de Conservação de Peixes-Boi no Estado do Pará, que pretende resgatar, reabilitar, soltar e monitorar mais de 60 indivíduos da espécie (Foto: Divulgação)

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em parceria com o ZooUnama, realizou em julho, em Santarém (PA), uma das maiores ações já registradas de reintrodução de peixes-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis) no Brasil. Seis animais, resgatados ainda filhotes, foram devolvidos ao habitat natural após passarem por um longo processo de reabilitação. A soltura foi acompanhada pela comunidade e por representantes da prefeitura, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas/PA), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de outras instituições.

A ação integra os esforços do Programa de Conservação de Peixes-Boi no Estado do Pará, que pretende resgatar, reabilitar, soltar e monitorar mais de 60 indivíduos da espécie – incluindo peixes-boi dulcícolas, marinhos e híbridos – hoje mantidos em cativeiro. A iniciativa também inclui atividades de educação ambiental, fiscalização e melhorias de infraestrutura para atendimento a animais resgatados.

“Essa é uma gestão inovadora dentro do Ibama no Pará, que busca ampliar a proteção da fauna silvestre ameaçada e engajar diferentes atores em uma rede de cooperação pela Amazônia”, afirma Luiz Paulo Albarelli, chefe da Divisão Técnica do Ibama no Pará.

Os seis animais reintroduzidos receberam nomes que fazem referência às comunidades de origem ou pessoas envolvidas nos resgates: Araraú, Itarim, Pacoval, Piracaoera, Ruck e Tapiri.

A reintegração dos peixes-boi precedeu o lançamento do Projeto de Reabilitação e Soltura de Peixes-Boi no Estado do Pará, oficializado em 18 de julho no Museu Paraense Emilio Goeldi. A iniciativa tem origem em uma condicionante ambiental estabelecida durante o processo de licenciamento de uma pesquisa sísmica marítima realizada pela empresa TGS, na Margem Equatorial brasileira.

O projeto destinará recursos para diversas frentes:

  • Estruturação de uma Base de Estabilização de Fauna Aquática (BEFA) em Soure, na Ilha do Marajó;
  • Criação de um centro de reabilitação de peixes-boi em Castanhal, na Universidade Federal do Pará;
  • Construção de um recinto de aclimatação pré-soltura com 500 m², em ambiente natural;
  • Monitoramento por satélite e rádio telemetria para acompanhar a adaptação dos animais;
  • Estudos sobre comportamento, hibridização e áreas prioritárias de uso da espécie;
  • Ações educativas em escolas da Ilha do Marajó;
  • Capacitação de comunidades locais, com foco em geração de emprego e renda.

Para Claudia Barros, diretora de Licenciamento Ambiental do Ibama, “além de garantir que grandes empreendimentos sejam realizados com responsabilidade, o licenciamento ambiental possibilita investimentos em projetos de conservação como esse”.

A espécie Trichechus inunguis, endêmica da bacia amazônica, é essencial para o equilíbrio ecológico da região. Considerado o “jardineiro” da Amazônia, o peixe-boi ajuda a manter a navegabilidade dos rios e a regeneração de áreas alagadas por meio da dispersão de sementes e controle de plantas aquáticas. Mesmo assim, segue vulnerável à extinção, com ameaças como caça ilegal, degradação do habitat e efeitos das mudanças climáticas.

Além dos peixes-boi da Amazônia, o programa também atende exemplares marinhos (Trichechus manatus) e híbridos resultantes do cruzamento natural das duas espécies.

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