15/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Direita lidera corrida presidencial na Bolívia após quase duas décadas de hegemonia do MAS

Publicado em 04 de agosto, 2025

Direita lidera corrida presidencial na Bolívia após quase duas décadas de hegemonia do MAS

Bolivianos irão dia 17 de Agosto eleger Presidente e Congresso. (Foto: Jorono/Pixabay)

A Bolívia se prepara para escolher novo presidente, vice e renovar o Congresso em 17 de agosto, em meio a uma reviravolta política: após 19 anos de protagonismo da esquerda, liderada pelo Movimento ao Socialismo (MAS), a direita aparece como favorita nas pesquisas eleitorais.

O empresário Samuel Medina lidera os levantamentos, seguido por Jorge “Tuto” Quiroga. Juntos, os dois nomes conservadores somam aproximadamente 47% das intenções de voto, cenário que pode levar a disputa para um inédito segundo turno, agendado para 19 de outubro, caso nenhum candidato atinja os critérios de vitória em primeiro turno.

Do outro lado, a esquerda amarga divisão e queda de popularidade. O MAS, partido que elegeu Evo Morales e, posteriormente, Luis Arce, enfrenta rachas internos e está enfraquecido. O atual presidente, Arce, abriu mão da reeleição e indicou o ex-ministro Eduardo De Castillo, que tem apenas 2% nas pesquisas. Morales, impedido de concorrer por já ter cumprido três mandatos, rompeu com antigos aliados e passou a defender o voto nulo, ao mesmo tempo em que responde a uma acusação judicial que ele nega.

Ex-nome promissor da esquerda, Andrónico Rodríguez também perdeu força ao deixar o MAS e tentar candidatura independente. Com cerca de 6% nas intenções de voto, ele é alvo de críticas do próprio Morales. A ex-senadora e prefeita de El Alto, Eva Copa, também havia lançado candidatura pela recém-criada legenda Morena, mas desistiu ao final de julho.

Especialistas apontam que o personalismo de Evo e a falta de unidade corroeram a força do MAS, que corre o risco de não alcançar a cláusula de barreira e ficar sem representação significativa no Parlamento.

A possível virada de página na política boliviana ocorre em um contexto de crise econômica e descrédito nas lideranças tradicionais. Se confirmado o favoritismo da direita, será a primeira vez que um presidente eleito não terá participado da construção do atual modelo plurinacional do Estado boliviano, instituído com a nova Constituição de 2009.

Agência Brasil

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.