
Medida terá validade de cinco anos e foi anunciada dias após o governo Trump oficializar taxa de 50% sobre o café brasileiro. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
A China anunciou a habilitação de 183 novas empresas brasileiras para exportar café ao seu mercado. A decisão, divulgada neste domingo (3/8) pela Embaixada da China no Brasil, passa a valer a partir de 30 de julho de 2025 e terá validade de cinco anos.
O anúncio ocorre em meio a tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. No último dia 31 de julho, o presidente norte-americano Donald Trump assinou uma ordem executiva que impõe uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo o café — item de forte presença no mercado americano. A medida entra em vigor no próximo dia 6 de agosto.
A tarifa de 50% é resultado da soma de duas alíquotas: uma de 10%, imposta em abril, e outra de 40%, anunciada no início de julho e oficializada no dia 30. Embora quase 700 produtos tenham sido excluídos da sobretaxa — como suco de laranja, aeronaves, castanhas, petróleo e minério de ferro — o café permaneceu na lista dos itens afetados integralmente.
A habilitação das exportadoras brasileiras pelo governo chinês surge como alternativa em um momento em que o Brasil tenta renegociar as barreiras impostas por Washington. Atualmente, os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro, com compras de 440.034 sacas de 60 quilos apenas em junho. No mesmo mês, a China importou cerca de 56 mil sacas do Brasil, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
O comércio entre Brasil e China segue fortalecido. O país asiático é o maior parceiro comercial brasileiro, e a nova medida amplia a presença do café nacional em um mercado em ascensão. Já os EUA continuam sendo grandes compradores de outros produtos do Brasil, como carne bovina e suco de laranja.
O setor cafeeiro brasileiro movimentou aproximadamente US$ 4,4 bilhões em exportações aos EUA nos 12 meses encerrados em junho, representando cerca de um terço da demanda total norte-americana por café.