
Doença silenciosa preocupa autoridades de saúde pública e reforça a importância da vacinação, do diagnóstico precoce e da prevenção. (Foto: Reprodução)
A incidência de hepatites virais segue em crescimento no Brasil, especialmente na região Norte, que lidera os índices de infecção, seguida pelo Nordeste. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país registra cerca de 45 mil novos casos da doença a cada ano — sendo a hepatite B a mais prevalente, com aproximadamente 35 mil casos anuais e 1,5 milhão de pessoas infectadas.
As hepatites são inflamações do fígado causadas por diferentes vírus (A, B, C, D e E) e representam um sério problema de saúde pública. Além dos tipos virais, há também formas relacionadas ao consumo excessivo de álcool, obesidade, diabetes, uso indevido de medicamentos e até disfunções autoimunes.
A médica de família Dra. Marilia Imthon explica que o fígado é um órgão essencial ao funcionamento do corpo humano, com funções que incluem filtrar toxinas, produzir proteínas, metabolizar medicamentos e auxiliar na digestão. “Quando afetado por uma hepatite, todo o organismo pode sofrer. E em alguns casos, a doença avança silenciosamente, atingindo órgãos como rins e cérebro, e podendo evoluir para cirrose ou câncer hepático”, alerta.
Ela ressalta que os sintomas, em geral, são discretos no início. Cansaço frequente, dor no lado direito do abdômen, urina escura e icterícia (coloração amarelada da pele e olhos) devem ser levados a sério. “A qualquer sinal, é importante procurar atendimento médico. Quanto antes for feito o diagnóstico, maiores as chances de tratamento eficaz”, afirma.
Além da hepatite viral, a médica chama a atenção para a Doença Hepática Gordurosa Metabólica (MASLD), anteriormente conhecida como esteatose hepática. Relacionada ao acúmulo de gordura no fígado, essa condição é associada a fatores como obesidade, colesterol alto e diabetes. Estima-se que atinja até 30% da população mundial.
Entre os grupos mais vulneráveis às hepatites virais estão usuários de drogas, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, a população LGBTQIA+, profissionais da saúde e moradores de áreas com saneamento básico precário. A hepatite A, por exemplo, está diretamente relacionada à ingestão de água ou alimentos contaminados, enquanto as hepatites B e C são transmitidas por contato com sangue ou relações sexuais desprotegidas.
A médica reforça que a vacinação contra os tipos A e B continua sendo a principal forma de prevenção. A cobertura vacinal no Brasil se mantém próxima a 80% entre crianças e adolescentes. “É essencial manter hábitos de higiene, evitar o compartilhamento de objetos cortantes, exigir materiais descartáveis em procedimentos estéticos e utilizar preservativos”, orienta.
“Independentemente do tipo, toda hepatite tem potencial para comprometer gravemente a saúde. Por isso, durante este mês reforçamos a importância da informação, da prevenção e do diagnóstico precoce”, conclui a médica, que atua na BSL Saúde.
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