
Ex-secretário da Presidência no governo Bolsonaro definiu o plano como “pensamento digitalizado”; alvo seriam autoridades do atual governo. (Foto: Eduardo Menezes/SECOM)
O general Mario Fernandes, ex-secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro, admitiu em interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (24), ser o autor do chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa assassinatos de autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
Durante seu depoimento, Fernandes qualificou o documento como um “pensamento digitalizado”, fruto de uma análise pessoal de riscos que nunca teria sido compartilhada com outras pessoas.
A investigação, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2024, revelou que o grupo por trás do plano era composto majoritariamente por militares das Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”. O objetivo era eliminar as autoridades por meio de envenenamento, com a data prevista para 15 de dezembro de 2022, três dias após a diplomação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além do plano de assassinato, a organização planejava a criação de um “Gabinete Institucional de Gestão de Crise” para administrar as consequências do ataque e contava com um arsenal pesado que incluía pistolas, fuzis, metralhadoras e até lança-granadas. As investigações apontam que Alexandre de Moraes era alvo de monitoramento constante.
Fernandes confirmou que o documento foi impresso no Palácio do Planalto, mas afirmou que o fez apenas para facilitar a leitura e que rasgou o papel logo em seguida. Negou ter apresentado o plano ao ex-presidente Bolsonaro, embora as investigações indiquem que o então mandatário teria tido “pleno conhecimento” da conspiração.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou o general sobre múltiplas impressões do plano, o que ele atribuiu a problemas técnicos e revisões pessoais.
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