10/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Casal é preso por suspeita de realizar abortos ilegalmente em Manaus

Publicado em 11 de julho, 2025

Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Amazonas prendeu, na quinta-feira (10/7), um casal suspeito de realizar abortos clandestinos e comercializar pílulas abortivas na capital amazonense. Adailton Cruz de Souza, de 35 anos, e Daiane dos Santos Vicente da Silva, de 33, foram detidos após monitoramento por parte das autoridades.

De acordo com o delegado Cícero Túlio, do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o casal cobrava valores que chegavam a R$ 1,6 mil pelos procedimentos de interrupção da gravidez. A investigação revelou que os suspeitos utilizavam redes sociais e plataformas de comércio eletrônico para divulgar seus serviços.

“Inicialmente, os autores acabavam publicando em redes sociais de comércio eletrônico o anúncio dos seus serviços, tanto na venda de pílulas utilizadas para a prática dos abortos, como também na espécie de consultoria e assessoria prestada no momento em que a pessoa fosse fazer o aborto”, afirmou o delegado.

Estágio da gestação

Os valores cobrados variavam conforme o estágio da gestação e a complexidade de cada caso. Cícero Túlio destacou a preocupação com a segurança das gestantes, mencionando que “os valores cobrados dependiam da quantidade de semanas da gestação e da complexidade de cada caso. Inclusive, há notícias de que alguns abortos foram praticados em fetos com mais de 5 meses, o que configuraria um grande risco para a gestante”.

Monitoramento

A polícia vinha monitorando os suspeitos há uma semana. A prisão ocorreu após a identificação de uma mulher que se dirigia ao local para realizar um aborto.

“Tínhamos conhecimento de que essa mulher iria realizar um aborto no início da tarde de ontem (quarta-feira). As equipes se deslocaram ao local e, na chegada dela, conseguimos fazer a abordagem. Com ela, foram encontradas diversas pílulas utilizadas na prática do aborto”, explicou Cícero Túlio. Adailton também foi encontrado com pílulas abortivas no momento da abordagem.

O delegado detalhou a divisão de tarefas entre o casal: “Ele ficava responsável por manter contato com as vítimas por telefone, fazia as negociações e repassava o material. Depois, a esposa fazia a entrega e dava a consultoria no momento da interrupção da gravidez”.

Durante os depoimentos, Adailton e Daiane teriam confessado a realização de pelo menos 12 abortos nos últimos dois meses. A polícia acredita que o esquema operava há mais de um ano, sugerindo um número maior de vítimas. “A gente acredita que como esse esquema funciona há mais de um ano, muitas outras pessoas tenham se utilizado desse tipo de serviço. Isso é objeto da investigação”, completou o delegado.

Uma das mulheres que teria interrompido a gravidez com o auxílio do casal foi identificada pela polícia. “Ela revelou que não sabia quem era o pai da criança e optou por interromper a gravidez. Segundo ela, o feto tinha aproximadamente um mês”, relatou Cícero Túlio.

Crimes

O casal responderá pelos crimes de aborto, tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção de produtos com fins terapêuticos. Apesar de não possuírem antecedentes criminais registrados, a polícia espera que outras vítimas compareçam à delegacia para registrar novas denúncias e auxiliar nas investigações. “Não há registros de antecedentes criminais contra eles, mas esperamos que outras vítimas compareçam à delegacia com novas denúncias”, concluiu o delegado.

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