06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Presidência da COP 30 propõe aliança internacional por soluções climáticas concretas

Publicado em 22 de junho, 2025

Presidência da COP 30 propõe aliança internacional por soluções climáticas concretas

Presidência da COP 30 publica a quarta carta solicitando a implementação plena do Acordo de Paris em meio às negociações em Bonn (Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR)

Em sua quarta carta oficial à comunidade internacional, a futura Presidência da COP 30 apresenta sua visão para a Agenda de Ação Climática Global, reafirmando o compromisso com a implementação dos resultados do Balanço Global (Global Stocktake – GST) do Acordo de Paris, acordados em 2023, durante a COP 28.

A Agenda de Ação da COP 30 será estruturada em torno de seis eixos que refletem a amplitude e a profundidade das ações necessárias para ampliar e acelerar esforços rumo  ao cumprimento dos compromissos coletivos assumidos no âmbito do Acordo de Paris e das COPs anteriores:

  • Transição de Energia, Indústria e Transporte;
  • Preservação de Florestas, Oceanos e Biodiversidade;
  • Transformação da Agricultura e dos Sistemas Alimentares;
  • Construção de Resiliência para Cidades, Infraestrutura e Água;
  •  Promoção do Desenvolvimento Humano e Social e
  •  Facilitadores e Aceleradores Transversais.

“Nosso objetivo é trazer uma nova dinâmica à ação climática global, alinhando os esforços  de empresas, sociedade civil e todos os níveis de governo em uma ação coordenada. Um mutirão global para cumprir o GST como uma NDC Global — ou melhor, uma ‘GDC’, a contribuição globalmente determinada do mundo (globally determined contribution)”, descreve André Corrêa do Lago, Presidente da COP 30.

A quarta carta da Presidência da COP 30 foi publicada durante a primeira semana das negociações de junho da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), realizada em Bonn, Alemanha. O lançamento contou com a participação de Corrêa do Lago, da Diretora-Executiva da COP 30, Ana Toni, e dos dois Campeões de Alto  Nível para o Clima: Nigar Arpadarai (COP 29) e Dan Ioschpe (COP 30).

A futura Presidência da COP 30 e os Campeões de Alto Nível mobilizarão atores e iniciativas já existentes para avançar esforços globais, como deter e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030, além de apoiar a aceleração da transição energética global, incluindo a triplicação da capacidade de energias renováveis no mundo, a duplicação da  taxa média anual de melhoria da eficiência energética até 2030 e a transição para o  abandono dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos de forma justa, ordenada e equitativa.

Esse novo modelo proposto para a Agenda de Ação se baseará em iniciativas e coalizões já estabelecidas em COPs anteriores. A estrutura será desenhada como um “celeiro de  soluções”, reunindo iniciativas concretas que conectem oportunidades de desenvolvimento em investimentos, inovação, financiamento, tecnologia e capacitação.

“Convocamos um mutirão — um esforço coletivo global. A Agenda de Ação é o nosso plano para esse esforço: conectar governos com implementadores e solucionadores de problemas que já entregam soluções climáticas no território. É hora de combinar urgência com união, e ambição com ação, para acelerar o desenvolvimento socioeconômico sustentável e construir sociedades mais resilientes”, convida Dan Ioschpe.

O objetivo é ampliar e acelerar a ação climática, reunindo um conjunto de soluções replicáveis e escaláveis dentro de uma estrutura que alinhe propostas específicas a um processo de monitoramento do progresso global com mais transparência e responsabilidade.

“Nesta década decisiva, precisamos aprender com o que funcionou e agir rapidamente para aproveitar as oportunidades identificadas no Balanço Global, assegurando que a ação climática esteja profundamente enraizada na justiça e na equidade. Essa Agenda de Ação Climática unificada vai unir políticas e pessoas, canalizando o dinamismo atual em avanços  mensuráveis”, destaca Nigar Arpadarai.

A futura Presidência da COP 30 acredita que a Agenda de Ação proposta oferecerá uma estrutura estruturada e inclusiva para mobilizar ações coletivas, reunindo milhares de governos subnacionais, empresas, investidores, ONGs e comunidades para apresentar  soluções. A ideia é inaugurar uma nova era em que a ação coletiva se torne a solução climática mais duradoura.

MPI defende demarcação de Terras Indígenas na Conferência de Bohn

Acompanhada de uma comitiva, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, participa da Conferência de Bonn na condição de presidente do Círculo de Povos, um dos quatro círculos temáticos que compõem a COP 30, e de presidente da Comissão Internacional Indígena. Ambas as esferas temáticas são inéditas na história das Conferências das Partes da ONU.

Como principal medida de mitigação dos efeitos da crise climática, a ministra defende a demarcação de Terras Indígenas como principal política para conservar e preservar o meio ambiente e impedir o avanço das mudanças climáticas.

“A gestão territorial e ambiental realizada há gerações pelos indígenas se provou um método eficaz e harmônico de convívio integrado com a natureza. Nosso intuito é chamar atenção dos países para que reconheçam o serviço à humanidade prestados pelos povos indígenas, a ponto de que seja convertido em política pública regulamentada e que conte com investimento real via financiamento climático por meio de fundos globais”, afirmou Guajajara.

Agência Gov

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