13/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Amapá e Pará tem emergência fitossanitária ao risco de surto da praga da mandioca

Publicado em 01 de fevereiro, 2025

Amapá e Pará tem emergência fitossanitária ao risco de surto da praga da mandioca

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou na última quinta-feira(30/1), Portaria declarando estado de emergência fitossanitária relativo ao risco de surto da praga quarentenária Rhizoctonia theobromae (Ceratobasidium theobromae ) nos estados do Amapá e do Pará.

Rhizoctonia theobromae é o fungo causador da vassoura-de-bruxa-da-mandioca, praga constatada pelas equipes da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz da Almas, BA), inicialmente em plantios de mandioca das terras indígenas de Oiapoque (AP), na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

A presença deste fungo representa alto risco na redução na produtividade das plantas de mandioca afetadas. Até o momento há ocorrências da praga nos municípios amapaenses de Oiapoque, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho e Pedra Branca do Amapari.

Praga quarentenária presente

A chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amapá, Cristiane Ramos de Jesus, explica que as pragas quarentenárias presentes (PQP) são as pragas exóticas que estão presentes em um país, com distribuição restrita e sob controle oficial. “Assim, a partir da definição desse status , todas as ações referentes a essa praga passam a ser coordenadas pelo Mapa com auxílio das Agências estaduais da defesa agropecuária”.

A pesquisadora acrescentou que a Embrapa, autorizada pelo Mapa, continua executando projetos de pesquisa e desenvolvimento, financiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com o objetivo de promover a segurança e soberania alimentar dos povos indígenas de Oiapoque.

“Atualmente, as ações do projeto estão voltadas à implantação de campos de multiplicação de manivas-semente de mandioca, com cultivares dos indígenas, que têm se mostrado tolerantes à praga e à diversificação de culturas como alternativa de fonte de renda”.

Portaria tem validade de um ano

A Portaria de emergência fitossanitária tem validade de um ano e visa reforçar medidas de prevenção e evitar a dispersão da praga para outras áreas de cultivo.

“Esta é uma medida que demonstra o reconhecimento do tema por parte do Mapa. Durante a vigência do estado de emergência fitossanitária, todas as ações necessárias para erradicar a praga e evitar sua disseminação para outras áreas produtivas poderão ser adotadas com mais agilidade, tanto em nível federal quanto estadual”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Embrapa

O chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Laranjeira, considera que a declaração da emergência fitossanitária vai permitir uma maior celeridade nas ações para sua contenção.

“Também transmite à cadeia produtiva o necessário senso de urgência para que todos colaborarem nessa luta. A emergência fitossanitária nos permite ainda mobilizar profissionais que até então não trabalhavam com mandioca para que se juntem a esse esforço”. O pesquisador enfatizou a necessidade de ações coletivas e organizadas entre produtores, pesquisa, extensão, defesa fitossanitária e operadores políticos”.

Com a publicação da Portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária, será estabelecido um Comando Nacional de emergenciais, compostos por várias instituições públicas federais, estaduais e municipais, além da iniciativa privada, para tratar das ações necessárias no enfrentamento a esta praga.

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