05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Operação desmantela quadrilha que emitia alvarás falsos no Amazonas

Publicado em 26 de novembro, 2024

Operação desmantela quadrilha que emitia alvarás falsos no Amazonas

Os envolvidos responderão por estelionato qualificado por fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. (Foto: Divulgação)

Uma operação deflagrada nesta terça-feira (26) pelas autoridades policiais desmantelou um esquema criminoso no Ceará que envolvia a emissão de falsos alvarás judiciais para fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. O grupo se passava por advogados de verdadeiros clientes do Amazonas, utilizando informações de processos judiciais reais para aplicar golpes sofisticados.

A ação, intitulada “Attornatus Falsus”, cumpre 48 mandados judiciais, sendo 20 de prisão preventiva e 28 de busca e apreensão, nas cidades de Fortaleza, Maracanaú e Pacatuba.

Como funcionava o golpe?

De acordo com o delegado Paulo Benelli, titular da Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc), os golpistas tinham acesso a detalhes confidenciais de processos judiciais em andamento, incluindo números de processos, advogados envolvidos e valores a serem pagos.

Com essas informações, entravam em contato com as vítimas se passando pelos advogados reais, alegando que havia valores a receber. No entanto, para liberar o montante, exigiam o pagamento de uma taxa para supostos alvarás judiciais.

“Eles criavam documentos PDF falsos e exigiam depósitos ou transferências das vítimas. Em seguida, lavavam o dinheiro por meio de operações financeiras complexas, dificultando o rastreamento dos recursos”, explicou Benelli.

Resultados da operação

Além das prisões, as autoridades apreenderam documentos, equipamentos tecnológicos e dinheiro. Também foi determinado o bloqueio de 184 contas bancárias ligadas aos suspeitos. As investigações ainda buscam esclarecer como o grupo criminoso teve acesso às informações processuais e identificar outros possíveis envolvidos.

Impactos e precauções

A operação, coordenada pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência e pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (CiberLab) do Ministério da Justiça, reforça o combate às fraudes judiciais no país.

“O objetivo é combater o crime organizado e proteger a sociedade dos impactos financeiros e emocionais causados por esses golpes”, destacou Benelli. Ele ainda alertou para a importância de verificar a autenticidade de documentos judiciais e desconfiar de pedidos de pagamentos suspeitos.

Próximos passos

Os envolvidos responderão por estelionato qualificado por fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A operação segue em andamento, com as autoridades empenhadas em desarticular a rede que atua nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

O nome da operação, “Attornatus Falsus” — que significa, em latim, alguém que toma o lugar de outra pessoa — reflete o modus operandi do grupo criminoso, que se fazia passar por advogados para cometer os crimes.

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