15/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Curso sobre principal transmissor da febre Oropouche será realizado pela Fiocruz Amazônia

Publicado em 15 de novembro, 2024

Curso de imersão sobre taxonomia do maruim inicia na segunda-feira (18), destinado a entomólogos de nove países das Américas do Sul e Central e do Caribe. Foto: Divulgação

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS) e Ministério da Saúde (MS), inicia na próxima segunda-feira, 18/11, em Manaus, um curso de imersão sobre taxonomia do maruim (Culicoides) – principal transmissor da febre Oropouche. O curso é destinado a entomólogos de nove países das Américas do Sul e Central e do Caribe, dentro do Programa Regional de Entomologia em Saúde Pública da Opas/OMS.

A capacitação vai enfocar aspectos da biologia, ecologia e vigilância dos insetos do gênero Culicoides, vetores do vírus Oropouche (Orov), capacitando, no total, 18 entomólogos de países como Bolívia, Cuba, Guatemala, Honduras, República Domenicana, Costa Rica, Paraguai e Brasil, com o suporte logístico e financeiro da Opas.

O curso se estenderá até o dia 22/11, ministrado pelo Laboratório de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA), do ILMD/Fiocruz Amazônia.

“Será um curso de imersão de uma semana, com teoria e atividades práticas de campo e estamos ansiosos para essa troca de experiências com os demais países”, afirma o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Felipe Arley Costa Pessoa, que ministrará a oficina, juntamente com a pesquisadora-titular do EDTA, Cláudia Maria Río Velasquez, e a pesquisadora Emanuele Sousa Farias, pertencente à Rede de Compartilhamento de Dados e Informações sobre Diversidade de Arvores na Amazônia.

“Na imersão, iremos abordar métodos de vigilância, captura e controle dos Culicoides (maruins), capacitando os participantes, por exemplo, sobre como fazer um estudo entomológico, como coletar de forma correta, quais as armadilhas mais adequadas, como preservar e também sobre a biologia básica, ecoepidemiologia e identificação propriamente dita dos maruins”, explica Felipe Pessoa.

De acordo com a Opas, o curso tem como propósito atualizar os participantes nas tecnologias existentes e nas formas de realizar e manter a vigilância do vetor, fortalecendo os sistemas de vigilância entomológica, de alerta prévio e respostas para mitigar a transmissão do Oropouche nos países.

Vírus

O vírus foi isolado pela primeira vez em 1955, na Ilha de Trindade e Tobago, no Caribe. No Brasil, foi identificado pela primeira vez em 1960. Ele pode causar febre com sintomas semelhantes aos de outras arboviroses, como dengue, chikungunya e zika.

Segundo o pesquisador, a transmissão ocorre em ciclos silvestres e urbanos, com diferentes hospedeiros animais e humanos. A recente expansão de casos para estados do Sudeste e Nordeste do Brasil, incluindo o primeiro registro no Rio Grande do Norte em 2024, destaca a necessidade de mais estudos sobre a biologia dos vetores e a relação patógeno-vetor com vistas à prevenção e controle da doença.

Felipe Pessoa salienta a importância da identificação correta das espécies, no sentido de ajudar os técnicos dos serviços de controle a apontar onde estão os vetores, qual período, quais as espécies são atraídas pelo ambiente modificado pelo homem.

“Existem provavelmente duas famílias de dipteros hematófagos que podem transmitir o vírus Oropouche: Culicidae, que são os mosquitos. No Amazonas, encontramos muitos mosquitos silvestres infectados com o vírus Oropouche. E a família Ceratopogonidae, onde estão alocados os Culicoides, os maruins. A ecologia, a biologia dessas famílias são distintas. Existem muitas espécies e que possuem características próprias de nicho ecológico”, afirma.

Vigilância

Em setembro, a Opas emitiu uma nova atualização sobre a febre do Oropouche nas Américas, pedindo aos países que reforcem a vigilância, notifiquem quaisquer eventos incomuns e fortaleçam as medidas de prevenção e controle de vetores. Em 2024, o vírus foi detectado em áreas onde a transmissão não havia sido registrada anteriormente. Além disso, foram notificadas mortes associadas à infecção, bem como casos de transmissão vertical.

Desde o último alerta epidemiológico da Opas, emitido em 1 de agosto de 2024 e até 6 de setembro, foram notificados mais 1.774 casos de Oropouche em seis países, elevando o total para 9.852 casos confirmados. O Brasil continua sendo o país mais afetado, com 7.931 casos e duas mortes.

Os outros países atualmente são Bolívia (356 casos), Colômbia (74 casos), Cuba (506 casos), Peru (930 casos) e, mais recentemente, a República Dominicana (33 casos). Além disso, foram notificados casos importados nos Estados Unidos (21 casos) e no Canadá (1 caso), após viagens a países endêmicos. Também foram documentados 30 casos importados na Europa.

Capacitações

O Laboratório EDTA já realizou outros dois cursos de capacitação em taxonomia de culicoides: um voltado para 20 entomólogos do Amazonas, na Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), e outro em Natal (RN), com agentes de saúde do Estado e estudantes de pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

“Estamos em um momento que o interesse em taxonomia de insetos vetores foi diminuído e o reflexo foi de um surto na Região Neotropical e Caribe, com técnicos que não tinham sido familiarizados com essa família. As medidas então de controle ficam confusas. Esse retorno a capacitação para entomólogos em taxonomia auxiliará, principalmente na vigilância e compreensão da biodiversidade desses vetores, que não transmitem só o vírus Oropouche. Várias espécies também são transmissores de filárias, protozoários, outros vírus também de importância veterinária”, enfatiza.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.