Em uma Assembleia tumultuada, na tarde desta terça-feira (09/06), os professores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) aprovaram a deflagração de greve por tempo indeterminado por apenas 21 votos de diferença. A paralisação começa na segunda-feira (15/06). Os cursos de Direito, Medicina e toda a Faculdade de Tecnologia ameaçam não aderir ao movimento.
Em Manaus foram 184 votos a favor da greve e 257 contra. Os votos que decidiram a favor da paralisação vieram das unidades do interior, com exceção do Instituto de Saúde e Biotecnologia (ISB) de Coari, que não teve os votos computados. No total, foram 292 votos favoráveis, 271 contrários e quatro abstenções.
Cerca de mil pessoas, entre professores, funcionários técnico-administrativos e estudantes, lotaram o auditório Eulálio Chaves.
Os docentes definiram ainda que o caráter do movimento paredista é de “ocupação didática”, com a realização de eventos para debater sobre a qualidade da educação brasileira e os desafios da categoria e dos demais representantes da comunidade acadêmica na luta em defesa da universidade pública, gratuita e socialmente referenciada.
Com a decisão tomada pelos professores da Ufam sobe para nove o número de universidades federais que decidiram pela greve somente na Região Norte, oito das quais já deflagraram paralisação. Entre elas, as Universidades Federais de Acre, Amapá, Rondônia, Tocantins, Pará, Sul e Sudeste do Pará, Oeste do Pará e Rural da Amazônia, também no Pará. Somente os professores da Federal de Roraima ainda não deliberaram sobre o assunto. Em todo o Brasil, até o momento, 26 Instituições Federais de Ensino aderiram.
Encaminhamentos
A AG dos docentes definiu que a 1ª reunião do Comando Local de Greve será nesta quarta-feira (10) às 15h, na sede da ADUA. A Assembleia decidiu também solicitar uma reunião extraordinária do Conselho Universitário (Consuni) da Ufam para deliberar sobre a suspensão de todas as atividades acadêmicas que sejam realizadas após a deflagração da paralisação, na segunda-feira (15). A categoria definiu ainda criar um “fundo de greve” para a manutenção das atividades do movimento paredista, com a contribuição de R$ 30 para sindicalizados (descontado no contracheque) e R$ 50 para não filiados (depósito bancário), por mês, enquanto durar a greve.
Cabe ao Consuni suspender o calendário escolar, diante da greve, mas fontes do portal na Ufam afirmam que isso será muito difícil. “O resultado foi muito apertado. A categoria está totalmente dividida”, disse a fonte.
Além dos docentes, já estão em greve os técnico-administrativos da Ufam, desde o dia 28 de maio, e os estudantes dos Institutos de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA), em Humaitá, e de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ), em Parintins, que paralisaram as atividades nesses dois campi, nos últimos dias, em virtude da falta de condições de ensino e em protesto contra o corte da verba da Educação feito pelo Governo Federal.
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