A paralisação dos professores na manhã desta quinta-feira (26/03) deixou sem aula 30.060 alunos de 49 escolas da rede estadual de ensino, de acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que divulgou nota negando a falta de diálogo com a categoria.

Cerca de 1,5 mil professores participaram de manifestação por melhores condições de trabalho. Foto: José Rodrigues
Veja a íntegra da nota:
Segundo levantamento oficial realizado pela Seduc, por conta da paralisação realizada nesta quinta-feira (26), 49 escolas públicas estaduais tiveram suas aulas paralisadas por conta da falta de professores. Ainda segundo a Seduc, 1.702 professores não se apresentaram para o trabalho nesta quinta-feira (26). O prejuízo pela falta de aulas atingiu diretamente 30.060 alunos, somente da rede estadual de ensino.
A Seduc esclarece que as negociações sobre a pauta de reivindicações estão sendo realizadas com a representação legal e legítima da categoria dos trabalhadores da educação no Amazonas, que é o Sinteam.
Conforme informado pelo Sinteam, os líderes sindicais foram recebidos na última terça-feira (24) pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio e ontem (25) pelo governador do Estado, José Melo. Em ambas as audiências, Estado e Município comprometeram-se em analisar toda a pauta reivindicatória e como ação prática, assumiram o compromisso de iniciar as discussões, levando em consideração a crise econômica nacional e a queda na receita de tributos que limita os investimentos.
Ao receber aproximadamente 20 líderes do Sinteam, ontem (25) na sede do Governo do Estado, o governador José Melo, acompanhado do secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares da Silva e do chefe da Casa Civil, Raul Zaidan, comprometeu-se em participar pessoalmente das negociações com o Sindicato. Uma nova reunião já está agendada entre o governador e a liderança sindical para o início do mês de abril.
Como providência, o governador também autorizou a instituição imediata de uma comissão paritária com participação de representantes da administração pública e do Sinteam, para discutir pleitos e projetar melhorias para trabalhistas. Farão parte desta comissão, além de liderança sindical, representantes das Secretarias de Estado de Educação (Seduc), da Fazenda (Sefaz), de Administração (Sead) e de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti).
De acordo com a conselheira titular do Conselho Nacional de Entidades do Conselho Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Ana Cristina Rodrigues, o pleito destas referidas organizações, que culmina na proposição de uma greve generalizada é ilegal. Greve, neste caso, é ilegal pois não possui respaldo algum da CNTE. No último mês de fevereiro o conselho geral da CNTE se reuniu em Brasília e não sinalizou com a indicação de greve para o Amazonas, afirmou.
Segundo a conselheira, a indicação de greve só é respaldada pelo CNTE quando se esgotam todas as alternativas de negociação. Não se pode fazer uma greve deliberadamente. É necessário que esta indicação seja precedida de um trâmite que envolve, dentre outras providências, a formação de uma assembleia com a representação de um representante legítimo do sindicato, fato que é ignorado por estes grupos, citou Ana Cristina Rodrigues.
Ainda segundo a conselheira, para uma greve ocorrer tem que haver um motivo maior. Motivo este que é a ausência de diálogo entre a base da categoria e os governantes. Fato que não ocorre no Amazonas, pois a sociedade é sabedora que o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus já iniciaram o processo de discussão com a categoria visando atender os pleitos, que inclui a revisão salarial, concluiu a conselheira do CNTE, Ana Crisina Rodrigues.