O presidente da Indonésia, Joko Widodo, que assumiu o cargo no dia 20/10/2014, negou o segundo pedido de clemência ao brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 50. Ele foi preso em 2003, com 13,5kg de cocaína numa asa delta e espera pela execução, em prisão de Jacarta, desde 2004.
As leis indonésias permitem apenas dois pedidos de clemência. Com a negativa, a execução deve ocorrer até o fim deste mês. A regra é colocar o condenado diante de 12 soldados, armados com fuzis, dois dos quais carregados. Eles miram o peito. Segue um tiro de clemência. O corpo é entregue à família.
Marco é neto de Lourdes Archer Pinto, que foi sucessora de Agnaldo e Henrique Archer Pinto, proprietários de “O jornal”, o primeiro diário de Manaus. A mãe dele, Carolina Acher Pinto, morreu em 2011, vítima de câncer.
Instrutor de voo livre, ele pegou a droga na cidade de Trujillo, no Peru, viajou de barco e passou dois dias em Manaus, com a avó, antes de seguir de avião para São Paulo. Da capital paulista, Archer embarcou para Jacarta, capital da Indonésia, com escala em Amsterdã, na Holanda. A cocaína viajou o tempo todo na asa delta, incólume, até que ele ficou nervoso, no aeroporto, e saiu correndo dos policiais, deixando o artefato para trás.
Marco Archer morava no Rio de Janeiro e teria transportado a droga para pagar uma dívida. Ele sofreu um acidente de parapente, em Bali, Indonésia, sendo internado num hospital de Cingapura, que não conseguiu pagar.
O jornal “Folha de S. Paulo” o entrevistou na cela, em 2012. “O cabelo está ralo e o brasileiro quase não tem mais dentes que eram, na verdade, implantes feitos depois do acidente de parapente. Sem tratamento dentário, os implantes caíram. Além disso, ele adquiriu o hábito de fumar cigarros, o que não fazia quando estava livre”, diz a matéria do jornal.
O primeiro pedido de clemência havia sido feito pelo embaixador brasileiro em Jacarta, Paulo Soares, ao agora ex-presidente Susilo Bambang Yudhoyono.