
O projeto foi contemplado no edital da Lei Paulo Gustavo (Foto: Pedro Coelho)
A convergência entre iluminação, dança e lugares que emanam da memória afetiva deu vida ao projeto “Performatividade sob Luzes’, de Rogério Cabral, que tem como proposta captar imagens em espaços pontuais de Parintins, que são carregados de simbolismo e afetividade. A junção dessa “brincadeira” de interação com a luz resulta num produto audiovisual em formato de vídeo dança. O projeto, que está em andamento, foi contemplado no edital da Lei Paulo Gustavo, em Parintins (distante a 369 quilômetros de Manaus).
“Os personagens desta obra, que une diversas formas artísticas são Parintins e as memórias, criadas a partir das vivências afetivas, (res)significadas em sonoridades, lugares, aromas e objetos. Isso nos permite transitar em espaços físicos e também os imaginários para compor as coreografias”, explica Rogério Cabral, artista proponente responsável pela concepção e coordenação do projeto.
Cabral traz uma carga de experiência nos diversos cenários artísticos. Ele é especialista em iluminação cênica de espetáculos de dança, teatro e shows musicais.
Sobre o objetivo de “Performatividade sob Luzes”, o artista também esclarece que a questão principal do projeto é mostrar como o movimento das danças “conversa” com os lugares de memórias emocionais dos moradores de Parintins.
“Dentro dessas conexões, a proposta é realizar o encontro entre luz, dança, cidade e as memórias afetivas. Esperamos colaborar com a discussão que se refere às representações sensíveis destes corpos e memórias, nas interações com os espaços culturais”, esclarece.
Os lugares escolhidos para estarem no projeto são: as ruas de Parintins; o Centro Cultural Amazonino Mendes, o Bumbódromo; Curral Zeca Xibelão; Curral Lindolfo Monteverde (Cidade Garantido). A equipe também pretende captar imagens de flores e, claro, da água, afinal Parintins é uma ilha.
Além de Rogério Cabral, responsável pelo projeto, a equipe conta com profissionais especializados em pesquisa, dança, iluminação e sonorização. Fazem parte do grupo: Irian Butel; Leonardo Pantoja; Rodrigo Cabral; Victor Nascimento; Glaedson Azevedo, Stanley Fabrício e Edy Almeida.
As coreografias do projeto são inspiradas, segundo o coreógrafo Rodrigo Cabral, na dança contemporânea, no boi-bumbá e na capoeira. Ele explica ainda que os elementos das performances são inspirados nos movimentos de flecha, zarabatanas, maracás e flautas.
”Usei na composição minhas raízes e as danças de Parintins. Em cada célula coreográfica e, em cada solo, estão a capoeira, o boi e também a dança contemporânea, que são minhas características”, enfatiza.
A sonoridade do “Performatividade sobre luzes”, conforme explica Leonardo Pantoja, foi inspirada em trilhas sonoras de animes. “É um universo (os animes), o qual gosto bastante, que consegue transmitir emoções e vibrações para personagens animados”, acentua.
Ele completa que foram trabalhados dentro da trilha, momentos de fúria, ternura, ascensão, conquista e vitória, que foram divididas em quatro atos compostos com elementos da natureza e da musicalidade amazônica, como: maracás, flautas, sons da natureza e tambores regionais.
“Defino esse trabalho como um prólogo para outros projetos com o mesmo conceito. Alinhar música, dança e luzes é algo muito inovador dentro do cenário cultural de Parintins”, conclui Pantoja.
As imagens serão captadas em duas fases. Na primeira, a captação acontece nos locais de memória e a seguir, será a vez das imagens da performance dos bailarinos nos desenhos de luz, realizada no Teatro Multiuso da Estação Cidadania João do Carmo, Bairro da União.
As etapas de trabalhos se subdividem na captação do audiovisual; coreográfica; plano de iluminação e produção de trilha sonora original. Os performers (bailarinos) constroem as células coreográficas em paralelo com os desenhos de luz pensados para cada cena.
“Rodrigo e Santley montam as sequências coreográficas, que irão compor a performance que o projeto propõe. Eles fazem o estudo dos movimentos e definem como vão se materializar no corpo dos bailarinos para depois fechar a coreografia final”, explica Irian Butel.
Ela adianta, ainda, que o resultado do projeto será apresentado na Estação Cidadania João do Carmo e no Centro Cultural Ogum Beira Mar e Cabocla Mariana, no Loteamento Teixeirão. “Estamos todos muito felizes com o resultado. Ficou tudo muito forte”, resumiu Irian.