19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mais de 114 milhões de pessoas foram deslocadas pela guerra e pela violência, diz ONU

Publicado em 28 de outubro, 2023

Mais de 114 milhões de pessoas foram deslocadas pela guerra e pela violência, diz ONU

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) anunciou que o número de pessoas deslocadas pela guerra, perseguição, violência e violações dos direitos humanos em todo o mundo provavelmente ultrapassou os 114 milhões até ao final de setembro.

A organização indicou que os principais impulsionadores do deslocamento forçado no primeiro semestre do ano foram a guerra na Ucrânia e os conflitos no Sudão, na República Democrática do Congo e em Mianmar; uma combinação de seca, inundações e insegurança na Somália; e uma crise humanitária prolongada no Afeganistão, de acordo com o Relatório de Tendências Semestral .

“O mundo está agora centrado, e com razão, na catástrofe humanitária em Gaza. Mas em todo o mundo há demasiados conflitos a proliferar ou a aumentar, destruindo vidas inocentes e desenraizando pessoas”, afirmou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos dos Refugiados.

“ A incapacidade da comunidade internacional para resolver conflitos ou prevenir novos está a causar deslocamentos e miséria . Devemos olhar para dentro, trabalhar juntos para acabar com os conflitos e permitir que os refugiados e outras pessoas deslocadas regressem às suas casas ou recomecem as suas vidas.”, declarou Filippo Grandi. .

Pessoas deslocadas no Médio Oriente

Segundo o relatório, havia 110 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo no final de junho, mais 1,6 milhões do que no final de 2022. Mais de metade das pessoas forçadas a fugir nunca atravessam uma fronteira internacional .

Nos três meses entre Junho e finais de Setembro, o ACNUR estima que o número de pessoas deslocadas à força aumentou em 4 milhões, elevando o total para 114 milhões. O conflito no Médio Oriente eclodiu em 7 de Outubro, para além do período abrangido por este relatório, que portanto não tem em conta as suas consequências em termos de deslocação humana.

“À medida que observamos o desenrolar dos acontecimentos em Gaza, no Sudão e noutros lugares, a perspectiva de paz e soluções para os refugiados e outras populações deslocadas pode parecer distante”, acrescentou Grandi. “Mas não podemos desistir. Juntamente com os nossos parceiros, continuaremos a pressionar por soluções para os refugiados .”

Aumenta o número de pedidos de asilo

Os países de baixo e médio rendimento acolhem 75% dos refugiados e outras pessoas que necessitam de protecção internacional. Globalmente, foram apresentados 1,6 milhões de novos pedidos individuais de asilo nos primeiros seis meses, o número mais elevado alguma vez registado.

Foram registados pouco mais de 404 mil regressos de refugiados , mais do dobro do número registado no mesmo período de 2022, embora muitos não tenham ocorrido em condições seguras.

Quase 2,7 milhões de pessoas deslocadas internamente regressaram a casa durante o mesmo período, mais do dobro do número registado no primeiro semestre de 2022. O número de refugiados reinstalados aumentou.

Números na América Latina e no Caribe

O relatório observa que os nacionais dos países da América Latina e das Caraíbas registaram cerca de um terço de todos os novos pedidos individuais de asilo no mundo . A maioria foi registrada por venezuelanos, cubanos, colombianos, nicaragüenses e haitianos nos Estados Unidos e no México.

Mesmo assim, a Colômbia continua a ser um dos principais países de acolhimento, chegando a 2,5 milhões de refugiados.

O documento destaca ainda que já existem 5,6 milhões de venezuelanos refugiados ou que necessitam de proteção internacional. Os autores observam que a maioria dos requerentes de asilo arriscaram-se a atravessar o Darién, um trecho perigoso de selva que separa a Colômbia do Panamá, para chegar ao seu destino final.

Em busca de uma resposta global coordenada

O relatório é publicado nas vésperas do segundo Fórum Mundial dos Refugiados, o maior encontro neste domínio a nível global, que se realizará em Genebra, de 13 a 15 de dezembro.

Os governos, os refugiados, as autoridades locais, as organizações internacionais, a sociedade civil e o sector privado unirão-se para reforçar a resposta global e procurar soluções para níveis recorde de deslocamento.

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