04/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Um ano sem Thiago de Mello, poeta ribeirinho e universal

Publicado em 15 de janeiro, 2023

Foto: Divulgação

Uma missa em Manaus, na igreja de São Sebastião, neste sábado, 14/1, celebrada a pedido da família, marcou a passagem de um ano da morte do poeta ribeirinho e universal Thiago de Mello.

No convite à missa aos amigos e admiradores, o poema Fim do Mundo, do livro Narciso Cego, mostra a dimensão de infinito que o poeta tinha da morte e sua eternidade.

A diretora-presidente em exercício da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Oreni Braga, comentou que a Prefeitura de Manaus lembra ao mesmo tempo que lamenta pela perda desse ícone da poesia mundial. “Thiago trazia para nós e deixou como legado a reflexão sobre a importância do homem da Amazônia, sobre a importância da Amazônia para o Brasil e para o planeta”.

“A poesia é a expressão dos sonhos e esperanças de um povo. Também da liberdade e da alegria. O poeta Thiago de Mello encarnou como poucos esses ideais tão fundamentais a todos nós”, afirma o presidente do Concultura, Tenório Telles, amigo do poeta.

Telles comenta que a poética de Thiago de Mello é marcada por uma profunda humanidade e intensidade lírica. “Nesse primeiro ano de ausência, sua obra continua viva e a nos falar da importância de vivermos sempre buscando possibilidades novas de existência, como manifesta no poema ‘A vida verdadeira’: ‘Não, não tenho caminho novo / O que tenho de novo é o jeito de caminhar'”.

O presidente do Concultura lembra que sua criação eterna, “Os Estatutos do Homem”, é um manifesto a favor da bondade, da amizade e do sonho de um tempo feliz para os seres humanos”.

Influente

Amadeu Thiago de Mello nasceu em Barreirinha, no dia 31 de março de 1926, e morreu em Manaus, em 14 de janeiro de 2022. Poeta e tradutor brasileiro, é considerado um dos poetas mais influentes e respeitados no país, reconhecido como um ícone da literatura de sua geração.

Tem obras traduzidas para mais de 30 idiomas. Preso durante a ditadura militar (1964-1985), exilou-se no Chile, quando encontrou em Pablo Neruda um amigo e colaborador.

Ainda no exílio, morou na Argentina, Portugal, França e Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou a sua cidade natal, Barreirinha, e depois mudou-se para Manaus, onde viveu até sua morte.

Seu poema mais conhecido é “Os Estatutos do Homem”, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana e está exposto na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. A “Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida” que rendeu-lhe, em 1975, ainda durante o regime militar, um prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, tornou-o conhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.

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