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Há dois meses, Anitta foi diagnosticada com o vírus Epstein-Barr, que pode ser uma das causas da esclerose múltipla. A cantora revelou o diagnóstico na tarde de ontem (3), em São Paulo, durante a entrevista coletiva de lançamento do documentário “Eu”, ao lado da diretora e atriz Ludmila Dayer, também portadora do vírus.
O filme apresenta a jornada de autoconhecimento de Ludmila desde o diagnóstico e conta como o Epstein-Barr lhe causou esclerose múltipla. Foi a atriz que orientou Anitta a fazer os mesmos exames que ela, ao perceber que a cantora estava com sintomas semelhantes.
A relação entre o vírus e a doença ainda é uma incógnita. A evidência mais forte até o momento é um estudo feito por cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, publicado no periódico “Science”. A pesquisa mostra que o vírus tem um papel fundamental no desenvolvimento da esclerose múltipla, mas nem todas as pessoas infectadas desenvolvem a doença.
“Quando chegaram os resultados eu estava com o mesmo vírus que a Ludmila, em fase inicial. Hoje em dia não existe coincidência. Por sorte, por destino, eu consegui nem chegar no estágio que a Ludmila chegou. Ela foi uma bênção na minha vida”, contou Anitta.
O Epstein-Barr é um vírus da família da herpes, causador da mononucleose infecciosa – a “febre do beijo” ou “doença do beijo” – através da saliva. Apesar do nome popular, não é apenas o beijo que pode transmiti-lo: objetos como escova de dente, copos ou talheres compartilhados com uma pessoa infectada também.
A transmissão ocorre principalmente no período de incubação que dura de 30 a 45 dias. Uma vez infectada, a pessoa pode permanecer com o vírus no organismo para sempre e, em circunstâncias especiais, ele ainda pode ser transmitido.
A mononucleose é uma doença benigna que pode ser assintomática ou facilmente confundida com outras doenças respiratórias comuns no inverno.
De acordo com o Ministério da Saúde, a doença pode causar febre alta, dor ao engolir, tosse, dor nas articulações, inchaço no pescoço, irritação na pele, amigdalite, fadiga e inchaço do fígado.
A maior parte das pessoas se cura em poucas semanas. Mas uma pequena proporção, de acordo com o Ministério da Saúde, que leva meses para recuperar seus níveis de energia anteriores, com um estado de fadiga prolongado.
Não existe tratamento, mas o uso de corticoides pode ser útil em casos graves de complicação com obstrução de vias aéreas, diminuição de plaquetas no sangue com risco de hemorragia ou anemia hemolítica (quando os anticorpos naturais do organismo destroem as hemácias).