06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Popularidade cresce e nasce ‘canto da sereia’ para Arthur disputar Governo. Omar iria para Senado. Melo e Hissa herdariam Estado e Prefeitura sem voto

Publicado em 15 de outubro, 2013

O volume de obras apresentado pela Prefeitura de Manaus, principalmente o asfaltamento das principais ruas e a urbanização de bairros, tem contribuído para a elevação da popularidade do prefeito Arthur Virgílio. Correligionários dele, como consequência, começam a falar na possibilidade de que venha a disputar o Governo do Estado, numa dobradinha com o governador Omar Aziz, que concorreria ao Senado.

Arthur tem evitado falar no assunto, mas o instinto político o fez promover mudança fundamental em relação às administrações de seus dois últimos antecessores, Serafim Correia e Amazonino Mendes. Enquanto Serafim trabalhava mais no gabinete, Amazonino, doente, se recolheu à própria residência e também dificilmente ia às ruas. O atual prefeito, por seu turno, leva menos de uma hora para chegar ao ponto onde uma adutora rompe, um temporal causa estrago ou mesmo um prédio privado, de uso público, tem problemas – como ocorreu na interdição do Manauara Shopping.

As inaugurações do mercado Adolpho Lisboa, cuja restauração emperrou nas gestões de Serafim e Amazonino, e de parte da Ponta Negra, marcadas para o Aniversário de Manaus, dia 24 de outubro, devem inflar ainda mais o balão de ensaio da candidatura do prefeito.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, o governador do Amazonas, Omar Aziz, o senador Eduardo Braga, a deputada federal licenciada e secretária estadual de Governo, Rebecca Garcia, o vice-governador José Melo e o vice-prefeito Hissa Abraão são as personagens da eleição de 2014

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, o governador do Amazonas, Omar Aziz, o senador Eduardo Braga, a deputada federal licenciada e secretária estadual de Governo, Rebecca Garcia, o vice-governador José Melo e o vice-prefeito Hissa Abraão são as personagens da eleição de 2014

O maior entrave é que, para concorrer, Arthur precisaria renunciar e isso significaria entregar a Prefeitura de Manaus ao vice, Hissa Abraão, ainda jovem e inexperiente, com apenas pouco mais da metade do mandato cumprido. A relação entre os dois, segundo rumores dos bastidores políticos, não anda às mil maravilhas e as garantias de que Hissa mergulharia de cabeça numa campanha do titular, quesito necessário para a viabilização do projeto, são no mínimo duvidosas.

Arthur teria a companhia – e até certo incentivo – do governador Omar Aziz, que disputaria o Senado da República. O resultado da formação dessa chapa seria a entrega do Governo do Estado ao vice-governador José Melo e da Prefeitura ao vice-prefeito Hissa Abraão, o que daria a amazonenses e manauaras governantes que não disputaram o voto direto, mas apenas os derivados dos titulares eleitos.

O canto da sereia se completa com a proposta de que Omar fique no Governo do Estado, para fortalecimento à candidatura de Arthur, apoiando-o de dentro da máquina estadual. Em contrapartida, o caminho ficaria livre para uma candidatura de Omar à Prefeitura de Manaus, em 2016, sem a concorrência do principal obstáculo para esse projeto, o próprio Arthur. Que, com a renúncia para disputar o comando da administração estadual, eleito ou não, estaria fora da disputa da reeleição, seu projeto original.

Todas essas elucubrações, que têm crescido nos últimos dias, porém, encontram um obstáculo: a determinação de Arthur de concluir a atual administração, concorrer à reeleição e só em 2018 pensar numa volta ao Senado da República. E a avaliação de que ele deixaria a Prefeitura sem organizar o centro da cidade, o principal desafio da sua plataforma eleitoral em 2012, além de se transformar de “prefeito da Copa” em vitrine da campanha eleitoral.

No panorama atual, o mais provável é que Arthur Virgílio apoie a candidatura da deputada federal Rebecca Garcia (PP), ao Governo do Estado. Ela costurou, silenciosamente, apoio de seu próprio partido, o PP, além do PSDB do prefeito, do PSB do ex-prefeito Serafim Corrêa e do PV. Omar Aziz deve ficar mesmo com o vice-governador José Melo. Os dois se encontrariam no segundo turno, apoiando aquele que emergisse do  primeiro turno para enfrentar o senador e ex-governador Eduardo Braga, favorito das pesquisas até agora.

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