
Ponte que caiu não intimida moradores da região e a Defesa Civil disponibilizou pequenas lanchas para a travessia, depois que os ribeirinhos usaram canoas para o trabalho e cobravam R$ 5 por pessoa
A ponte que desabou, no KM-010 da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho), no Município do Careiro da Várzea, será substituída em 12 dias. Serão mais dois dias para o Corpo de Bombeiros retirar corpos e carros do fundo do rio Curaçá. O tempo necessário para construção das cabeceiras da ponte, pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), será de outros dois dias. E a colocação da ponte, propriamente dita, pelo Exército, levará de sete a oito dias. As informações foram repassadas ao governador Wilson Lima, que está à frente do trabalho de reduzir o impacto do acidente, embora a gestão da ponte e da rodovia caibam ao DNIT – órgão do Governo Federal.
Entre servidores do Governo do Estado, policiais e agentes federais havia, nesta sexta (30/09), 85 servidores trabalhando no local. Um acampamento foi montado pela Defesa Civil, além de banheiros químicos. Há distribuição de água para os usuários.
O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) autorizou o uso de quatro pequenas embarcações da Defesa Civil para a travessia, inclusive neste domingo, dia do 1º Turno. O trabalho estava sendo feito por ribeirinhos do Curaça, que cobravam R$ 5 por pessoa.
Moradores de Autazes e das vilas do Araçá e Samaúma (moradores locais escrevem com essa grafia), assim como do Careiro Castanho e Manaquiri, continuam indo e vindo a Manaus. É uma tradição da região não transferir título eleitoral e aproveitar a eleição para reunir familiares.

Representantes do Comitê de crise, no local do desabamento da ponte, em uma das reuniões de trabalho
Quatro corpos foram resgatados (um deles, uma mulher, boiou na quinta, 29/09) e todos já foram liberados para a família. A Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas) informa que só um familiar ainda está sendo procurado pelos seus.
Oito mergulhadores dos bombeiros e dois da Marinha do Brasil trabalham no local, com os equipamentos necessários. Essa equipe estima que levará mais dois dias para retirar carros naufragados e o corpo desaparecido. “Há locais em que a profundidade chega a 20 metros”, disse um deles.
O Exército traz, de Porto Velho, uma ponte metálica com 60 metros de extensão. A ponte que desabou tinha 96 metros. Ela terá apenas uma via, mas há vários trechos desabados, em outros locais da estrada, onde só restou uma pista e a manutenção do DNIT demora meses.
A Amazonas Energia informou que tem combustível para atender, por 10 dias, os municípios de Careiro Castanho, Autazes e Manaquiri.
O transporte de cargas para o abastecimento desses três Municípios está sendo feito, durante esses dias, por Manaquiri. DNIT e Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) estudam uma rota alternativa, para esse trabalho, caso o Paraná do Manaquiri seque muito, como já ocorreu em outros anos.
Uma empresa do Acre anunciou que colocará uma balsa, a partir de Iranduba, fazendo a travessia do rio Solimões, para Manaquiri. O ponto de chegada fica a 13 quilômetros da sede Municipal.
As empresas de ônibus e transportadoras têm linha direta com a Defesa Civil do Amazonas. Elas estão sendo informadas, em tempo real, sobre a situação da estrada BR-319.