
Deputado federal é uma eleição fundamental para partidos e federações. Candidatos já iniciaram a briga de foice pelas oito vagas do Amazonas
A escolha dos oito deputados federais que representarão o Amazonas, a partir de 2023, não é uma coisa simples. Há uma série de pegadinhas. Uma delas é o quociente eleitoral, o número mínimo de votos para que partidos e federações elejam seus candidatos. Leland Barroso, professor de Direito Eleitoral e especialista em eleições, calcula que serão necessários 170 mil votos neste pleito. É um número mágico, no qual todos se baseiam, mas não é tudo.
A disputa agora é interna, dentro dos partidos ou federações. A maioria já indicou os nomes que participarão da disputa. Agir, Avante, MDB, Patriota, PDT, PL, PMN, PSC, PSD e Republicanos, além das federações PSDB/ Cidadania e Psol Rede, mandaram ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) a chapa com 9 nomes. As federações Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) e União Brasil (PSL/ DEM)entregaram uma lista com 10 nomes e terão que eliminar um. O PROS, que vive acirrada disputa pelo comando da sigla no Estado, mandou 11 nomes e terá que eliminar dois.
Os partidos DC (que enviou 6 nomes), Novo (1), PCO (1), Podemos (4), PSB (2), PTB (6) e Solidariedade (7) ainda podem completar a lista de 9 nomes. Mas é preciso que os indicados tenham sido filiados à sigla dentro do prazo eleitoral de um ano. E eles podem disputar apenas com esses nomes, já enviados à Justiça Eleitoral.
O eleitor tem que imaginar uma corrida. Cada partido ou federação tem direito a até nove candidatos – o número de vagas do Amazonas, oito, mais um. É esse grupo inteiro que precisa reunir os tais 170 mil votos para eleger o primeiro. E o eleito é o que obtém mais votos – sempre dentro do partido ou federação.
Caso o número dos que atingiram o quociente eleitoral não complete as cadeiras amazonenses, na primeira contagem, as vagas restantes serão preenchidas pela “sobra”. Aí, partido ou federação terá que conseguir 80% do quociente eleitoral. Quem tiver esse número, que é 136 mil votos, entra na briga por vagas. É a volta à disputa dos partidos que não conseguirem atingir o primeiro quociente eleitoral, uma novidade desta eleição.
O candidato, individualmente, terá que obter 10% do quociente eleitoral (17 mil votos), na primeira contagem. E 20% na segunda (34 mil). É a lei feita para evitar que fenômenos como Tiririca e Enéas Carneiro, os puxadores de votos, se repitam neste pleito.
Veja, a seguir, os nomes que disputam dentro de cada partido ou federação. Nas legendas, a opinião do portal sobre como se dará o combate:

Deputado federal, o AGIR vai a campo sem nomes de expressão na política estadual

Deputado federal, o Avante leva para a disputa o presidente da Câmara Municipal de Manaus, David Reis, o ex-deputado federal e ex-vice-prefeito Hissa Abrahão, os vereadores Marcelo Serafim e Marcel Alexandre, além da jornalista Liliane Araújo e dos economistas Márcio Paixão e Lissandro Breval. Todos lutarão para chegar ao quociente eleitoral e superar os demais, para ficar com uma única vaga que o grupo deve fazer

Deputado federal, o DC, também sem nomes mais conhecidos, lutará com seis candidatos para criar uma zebra e fazer uma vaga

Deputado federal, o PT conta como certa a volta do atual deputado federal Zé Ricardo e tentará voar na onda Lula para uma segunda vaga, que seria da ex-senadora Vanessa Grazziotin

Deputado federal, a coligação do candidato ao Governo Amazonino Mendes e de Arthur Virgílio, ao Senado, tem um candidato a campeão de voto do pleito, o vereador Amom Mandel. O problema é se a chapa alcançará os 170 mil votos para garantir essa única vaga ou os 136 mil para lutar na repescagem. O apresentador do Bumbá Garantido, Israel Paulain, e o médico Dr. Raymison são esperanças como escudeiros de Amom

Deputado federal, a Federação Psol Rede também caminha pela zebra, embora tenha nomes como Jefferson Praia e Jerson Aranha

Deputado federal, o senador Eduardo Braga teve que cuidar de alianças e da própria candidatura. Pelo visto não teve tempo para reunir uma chapa forte concorrendo às oito vagas amazonenses. Tem o ex-vereador Dr. Nelson Azedo, Márcia Baranda, vereadora de Parintins, arregimentada de última hora, e a ex-secretária estadual Viviane Lima. Também corre por fora

Deputado federal, com um único candidato lançado, até agora, o Novo indica desinteresse pela disputa, mas ainda pode lançar os outros 8 nomes permitidos e tentar surpreender

Deputado federal, o Patriota, sem “puxador de voto”, lutará para surpreender

Deputado federal, o PCO, como o Novo, ao indicar só um candidato mostra desinteresse. Os especialistas dizem que nenhum candidato atingirá, sozinho, o quociente eleitoral

Deputado federal, com chapa completa, o PDT também não tem “puxador de voto”

Deputado federal, no PL, do presidente Bolsonaro, a disputa é aberta entre o atual deputado federal Capitão Alberto Neto (que foi promovido a major, mas continuará usando, eleitoralmente, o capitão) e o presidente regional da sigla, o ex-prefeito e ex-senador Alfredo Nascimento. Correm por fora, mas com chances, Jacauna, muito prestigiado no meio do esporte, o pastor Nilmar Oliveira, e o ex-presidente do Detran-AM, Rodrigo Sá. Todos juntos devem fazer um deputado e esperar que, na sobra, façam o segundo

Deputado federal, o PMN tem uma chapa fincada em militares, mas nenhum com grande expressão eleitoral

Deputado federal, o Podemos só tem quatro nomes, por enquanto, e aposta em Henrique Filho, filho do candidato a governador e ex-vice-governador Henrique Oliveira. É pouco para pensar em fazer um deputado

Deputado federal, o PROS, em disputa interna pelo comando amazonense, tem uma chapa sem nomes tradicionais na política e chega correndo por fora

Deputado federal, o PSB, do deputado estadual e candidato à reeleição Serafim Correa, ainda pode completar a chapa, onde só apresentou dois nomes. Com o time atual está fora da disputa

Deputado federal, o PSC é outro que tenta aparecer como zebra no pleito pela Câmara dos Deputados

Deputado federal, o PSD, do senador Omar Aziz, candidato à reeleição, tem uma das brigas internas mais acirradas pela Câmara. Estão lá três atuais parlamentares, disputando a reeleição: Marcelo Ramos, Átila Lins e Sidney Leite. Marcelo, disparado o mais destacado da bancada do Amazonas (ocupou a inédita vice-presidência da Câmara), tem um problemão pela frente. É demonizado pelos bolsonaristas e enfrenta a preferência petista por Zé Ricardo, perdendo votos dos dois lados. Átila Lins é a “raposa” dessas eleições e sempre consegue voltar. E Sidney, segundo observadores, está trabalhando muito bem o interior e sabe gastar. Corre por fora o empresário Orsine Jr., ligado ao turismo e filho do dono da Amazonas Energia, Orsine Oliveira, além do ex-presidente do Sindicato dos Rodoviários (motoristas e cobradores de ônibus) Givancir Oliveira. Esse grupo trabalha com a possibilidade de fazer dois e ainda brigar pela sobra

Deputado federal, o PTB tem apenas seis nomes na disputa e nenhum indica grande votação

Deputado federal, o Republicanos abriga a disputa entre Adail Filho, ex-prefeito de Coari, e o atual deputado federal, candidato à reeleição, Silas Câmara. Adail Pinheiro, o pai, era um dos mais importantes cabos eleitorais de Silas e agora trabalha pelo filho. Está na chapa o vereador Rodrigo Guedes, um dos destaques da Câmara Municipal, e o pastor João Carlos, mas será muito difícil que um terceiro entre na briga dos dois pesos-pesados da chapa. O prognóstico é que da disputa dos dois saia um eleito pelo quociente e o segundo ficará na torcida da sobra

Deputado federal, o Solidariedade foi buscar o irmão do candidato a governador Ricardo Nicolau, o ex-vereador Hiram Nicolau, na última hora, para completar a chapa. É a esperança de lutar por uma vaga

Deputado federal, a federação União Brasil, do governador Wilson Lima, ainda precisa tirar da disputa um dos dez nomes que enviou ao TRE-AM. Tem uma disputa boa entre o deputado estadual Saullo Vianna e o ex-deputado federal Pauderney Avelino. Também prometem surpreender o Coronel Bonates, ex-secretário estadual de Segurança, os delegados Emília Ferraz, ex-delegada-geral, e Pablo, atual deputado federal, tentando uma difícil reeleição, depois de um mandato apagado. Uma vaga esse grupo leva e fica a possibilidade da segunda, na repescagem
Seis ou sete vagas serão preenchidas na primeira contagem e ficará uma ou duas para a “sobra” ou repescagem.