18/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Moscou e Washington medem forças no Conselho de Segurança da ONU

Publicado em 01 de fevereiro, 2022

Moscou e Washington medem forças no Conselho de Segurança da ONU

A última reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi marcada por acusações entre as representações dos Estados Unidos e da Rússia a propósito das tropas russas concentradas na fronteira com a Ucrânia. Os países ocidentais intensificam esforços diplomáticos para evitar o início de um conflito militar.

A embaixadora norte-americana, Linda Thomas-Greenfield, disse que esta foi a maior mobilização militar que a Europa viu nas últimas décadas.

O embaixador russo, Vassily Nebenzia, acusou os Estados Unidos de “fomentar a histeria” e “enganar a comunidade internacional” com “acusações infundadas” e de interferir, de forma inaceitável, nos assuntos do Kremlin. A reunião foi realizada a pedido dos Estados Unidos, contra a vontade da Rússia. Dez dos 15 países-membros do Conselho de Segurança votaram a favor do encontro.

Nebenzia acrescentou que “não há provas de que Moscou esteja planejando ação militar contra a Ucrânia e que o aumento de tropas não foi confirmado pela ONU”. Segundo ele, a Rússia costuma enviar tropas para o seu próprio território e Washington não tem nada a ver com isso.

Conselho

Vassily Nebenzia lembrou que antes da invasão do Iraque em 2003, Washington assegurou que tinha provas de armas de destruição maciça que nunca foram encontradas.

Linda Thomas-Greenfield disse que o envio de mais de 100 mil soldados russos ameaçava a “segurança internacional” o que justificava um debate público na ONU.

A embaixadora norte-americana alegou ainda ter “evidências” de que Moscou queria enviar mais de 30 mil soldados adicionais no início de fevereiro para a Bielorrússia, cujo regime é muito próximo do Kremlin.

Rosemary DiCarlo, secretária-geral adjunta da ONU para as Questões Políticas, reagiu de imediato, afirmando não “haver qualquer alternativa à diplomacia” nessa crise. “Não deve haver intervenção militar”, acrescentou.

Esforços diplomáticos

Para esta terça-feira está agendado um telefonema entre os secretários de Estado dos EUA, Antony Blinken, e da Rússia, Serguei Lavrov.

Segundo a BBC, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que Washington continua totalmente comprometida com o diálogo e vai continuar a consultar aliados e parceiros, incluindo a Ucrânia.

Vários líderes europeus estão a caminho de Kiev para negociações, entre eles o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que promete trabalhar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, para encontrar uma solução diplomática e “evitar mais derramamento de sangue”.

Também o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, o seu homólogo holandês, Mark Rutte, a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock, o seu homólogo francês, Jean-Yves Le Drian, são esperados em Kiev.

A ministra da Defesa do Canadá, Anita Anand, cujo país está fornecendo assistência militar à Ucrânia, chegou Kiev no domingo (30) para visita de dois dias. Ela anunciou o envio de tropas canadenses para o oeste da Ucrânia e o repatriamento temporário de todos os funcionários não essenciais de sua embaixada em Kiev.

Vários países ocidentais anunciaram, nos últimos dias, o envio de novos contingentes para a Europa de Leste.

Agência Brasil

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