05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Cema moderniza arsenal terapêutico para insuficiência cardíaca no Amazonas

Publicado em 12 de novembro, 2021

Médicos cardiologistas ligados ao SUS já podem solicitar medicamentos para pacientes cardiopatas no estado. Foto: Divulgação

O aposentado Raimundo Ismar Almeida, 74, é diabético, faz uso de marcapasso e sofre com insuficiência cardíaca, doença popularmente conhecida como coração grande. Com um salário mínimo de aposentadoria, precisa da ajuda da filha, a pedagoga Any Almeida, para comprar os cinco remédios que compõem o grupo de medicamentos dos quais ele precisa. O tratamento não custa menos de mil reais por mês.

Mas, para o alívio de seu Raimundo e de sua filha, eles não vão precisar mais comprar nenhum desses fármacos. O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), tem acelerado o processo de modernização do arsenal terapêutico do estado da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) a partir da incorporação de novos medicamentos ou da expansão do protocolo médico de drogas com nova finalidade comprovada. “Foi um grande alívio e alegria para mim e para o meu pai”, disse a pedagoga.

Após encaminhamento de solicitação da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Amazonas (SBC-AM) para que se incorporassem à política de distribuição de medicamentos da SES os fármacos Brisoprolol, Rivaroxabana e Dapaglilifozina, a Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) e o Componente Especializado de Assistência Farmacêutica (CEAF), com apoio da SBC-AM, elaboraram normas técnicas para estabelecer os protocolos e critérios de inclusão dos pacientes que receberão as medicações. A partir de agora, os médicos cardiologistas ligados ao SUS já podem solicitar estes medicamentos para pacientes cardiopatas no estado.

“Sabemos da necessidade de prevenir, tratar, prolongar e dar qualidade de vida aos pacientes, e isso requer um arsenal terapêutico amplo e de alto custo nas medicações. Infelizmente, os pacientes do SUS não têm condições de arcar com esse custo. Cabe a nós, como Sociedade de Cardiologia, criarmos essa demanda. Desta feita, elaboramos um ofício ressaltando a importância de cada um desses medicamentos, que não estão no rol de fármacos do SUS, e trabalhamos na elaboração da nota técnica em parceria com a Secretaria”, explica a presidente da SBC-AM, a médica cardiologista Kátia Couceiro, contando que tais medicações estão entre os melhores fármacos da atualidade para o combate à insuficiência cardíaca e AVC.

“As evidências mostram que o uso dessas medicações de maneira regular e efetiva, associada a mudança no estilo de vida, podem reduzir substancialmente a mortalidade, garantindo melhor qualidade aos indivíduos, além de diminuir o impacto socioeconômico no estado. É um grande avanço em termos de saúde pública”, diz a presidente da SBC.

Amazonas pioneiro

De acordo com Sueli “Suzi” Chagas, farmacêutica presidente da Comissão de Farmácia e Terapêutica e gerente do Componente de Assistência Terapêutica da SES-AM, o Amazonas é um dos primeiros estados a incorporar as normas técnicas destas medicações, resultado de um trabalho de modernização do arsenal terapêutico do estado, com apoio de sociedades como a SBC-AM, assim como do suporte institucional do Governo do Estado do Amazonas, por meio da SES-AM.

“São avanços que podem colocar o Amazonas em uma situação privilegiada na prevenção e agravamento de doenças cardíacas não só melhorando a performance de pacientes já fortemente comprometidos, mas colaborando para evitar a piora dos pacientes. Estas são drogas inovadores, capazes de mudar o curso das doenças, e que devem ter um importante impacto na política de saúde do estado”, declarou ela, que calcula o ingresso de cerca de 550 pacientes por mês para cada nova droga incorporada.

Gravidade da doença

De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Amazonas (SBC-AM), Kátia Couceiro, é estimado que existam cerca de 4 milhões de pacientes com insuficiência cardíaca no Brasil. “O risco de mortalidade é similar ao de neoplasias comuns (tipo de câncer) em homens e mulheres, ou seja, a sobrevida é menor do que câncer de próstata e câncer de mama”, diz a cardiologista, destacando também que a patologia é a terceira causa de internações hospitalares no grupo acima de 60 anos.

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