
Servidor terceirizado do TJ preso em operação ostentava vida de luxo nas redes sociais
O servidor terceirizado do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) Erleson Lima, de 28 anos, preso durante a Operação Nababo, deflagrada nessa quinta-feira (2), pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), ostentava uma vida de luxo nas redes sociais. Ele é suspeito de comandar uma quadrilha que desviou cerca de R$ 1 milhão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) suspeita de operar transações com emissões de alvarás judiciários fraudulentos.
Segundo investigação do MPAM, a quadrilha emitia alvarás para saques de valores constantes de contas vinculadas a processos judiciais arquivados. Erleson e outras nove pessoas foram detidas. Além disso a operação cumpriu mandados de busca e apreensão.
Os suspeitos responderão pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As investigações seguem na capital amazonense, Maués e Parintins.
Elerson levava uma vida de luxo e fazia questão de ostentar nas redes sociais com fotos de viagens, festas e passeios luxuosos. Em seu Instagram é possível ver que ele viajou para vários lugares do Brasil como Maragogi, em Alagoas, Porto de Galinhas (PE) e São Paulo, em menos de um ano.
Durante a apuração dos fatos constatou-se a existência de indícios veementes de movimentações processuais injustificadas, consistente na inclusão de nomes de pessoas, ora também investigadas, como partes/advogados, apesar de, na verdade, não possuírem relação com os processos, sendo pessoas próximas, do convívio do principal suspeito, ou seus familiares.
Após a inclusão indevida de tais pessoas como partes ou advogado(a), ocorria a emissão de alvarás, exclusão dos nomes estranhos inseridos nos autos e, ainda, apagamento das movimentações processuais irregulares respectivas, além de colocação de sigilo sobre sobre estes atos, para dificultar o conhecimento do desvio e de seus rastros.
Analisando as movimentações suspeitas, foi possível rastrear o uso constante de determinado perfil de usuário e senha de uso pessoal presente na imensa maioria das movimentações, apontando servidor terceirizado do Tribunal de Justiça do Amazonas como principal suspeito de operar o esquema, possivelmente também fazendo uso, sem autorização, de outro perfil e senha de usuário para concluir parte dos desvios. Levantamentos preliminares dão conta de que houve a emissão de alvarás indevidos em pelo menos 6 comarcas, com possíveis prejuízos acima de R$ 1,2 milhão, valor este ainda em apuração e a ser confirmado.
O nome da operação decorre da exposição, em redes sociais, de elevado padrão de vida e ostentação por parte do principal suspeito, incompatível com sua remuneração no Tribunal de Justiça, que não justificaria o estilo nababesco exposto publicamente.
A apuração dos fatos ocorreu com assídua colaboração e participação da Corregedoria do Tribunal de Justiça que, tão logo teve conhecimento dos fatos, comunicou ao Ministério Público e compartilhou provas, além de ter possibilitado a célere investigação dos fatos, que ainda segue.
A Decisão que deu origem à Operação foi proferida pelo Plantão Criminal da Comarca de Itacoatiara.
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