
Maestro Nivaldo Santiago, na foto ao lado do filho, Cláudio, e da esposa, professora Socorro Santiago, é patrono na Faculdade de Artes, que fundou, no complexo da Ufam
O maestro Nivaldo de Oliveira Santiago (14/07/1929 a 04/04/2021) dá nome ao prédio onde funciona a Faculdade de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Faartes/Ufam). Professor emérito da instituição, ele foi responsável pela transformação do Conservatório de Música Joaquim Franco em unidade acadêmica da então Universidade do Amazonas (UA), em 1968. Nesta quarta (14/07), dia em que completaria 92 anos, às 14h30, será feita a imposição da placa com o nome dele no prédio da Faartes.
O maestro também será homenageado no Teatro Amazonas, na noite do dia 14/07, às 20h, com um concerto póstumo.
A esposa do compositor e regente, Profa. Dra. Maria do Socorro de Farias Santiago, também professora aposentada da Ufam, e Cláudio, filho dele, vieram a Manaus para a homenagem. Eles moram em Minas Gerais, onde o maestro estava trabalhando e faleceu.
“O maestro Nivaldo foi um importante professor e músico na Ufam. Revolucionou o movimento de música coral no Brasil e exterior. Alargou expressivamente o repertório musical dos corais ao instalar e valorizar a música popular arranjada para coral. De Norte a Sul, de Leste a Oeste do Brasil os arranjos do maestros são executados disseminando a música da Região Amazônica para fora de seus limites”, lembra o prof. dr. João Gustavo Kienen, diretor da Faartes.
Nivaldo é reconhecido por seu papel no desenvolvimento do canto coral no Brasil. Em 1956, ele fundou o Coral João Gomes Jr., em atividade até hoje. Criou ainda o Coral Universitário do Amazonas, na década de 1970, além de orquestras e coros em São Paulo, Minas e Pará.
Nivaldo Santiago graduou-se em piano pela Faculdade de Música Carlos Gomes, em São Paulo. Estudou órgão em Bolonha, na Itália, onde se apresentou com conjuntos vocais e instrumentais. Foi aluno de Angelo Camin, já no Brasil, formador de uma geração de organistas, na cidade de São Paulo.
Especializou-se em Musicologia, sob orientação do professor Macário Santiago Kastner, em Lisboa, Portugal, como bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian. Frequentou cursos de composição, regência coral e orquestral com João Gomes Jr., Emerich Csamer, Fritz Iöede e Michel Corboz, no Brasil e no exterior.
Na Ufam, Nivaldo Santiago dirigiu o Setor de Artes, hoje Centro de Artes (Caua). Juntamente com a esposa, Socorro Santiago, também foi o responsável pela criação do curso de licenciatura em Educação Artística, em 1980. Em 2014, o Conselho Universitário concedeu ao maestro o título de professor emérito, por sua trajetória na música da Região Norte.
Para a ex-diretora da Faculdade de Artes, Rosemara Staub de Barros, o maestro Nivaldo Santiago significa a história das artes na Ufam. “Compositor, regente, arranjador musical e professor de Música, buscou estratégias para que pudéssemos ter o primeiro curso de licenciatura em Educação Artística na UA. Criou o Coral Universitário e dirigiu o Setor de Artes na década de 1970. Seu legado administrativo está aí, a Faculdade de Artes, com vários cursos em funcionamento. Como compositor, deixa uma linda história na música do Amazonas, e nossa missão será a propagação da sua criatividade musical”, disse.
O maestro, pouco tempo antes de partir, deixou cerca de dez horas de depoimentos. Parte do material está na página dele, no Facebook, para o documentário “O maestro das águas”. Veja, abaixo, uma parte dos depoimentos:
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