
Morre o empresário Otávio Raman (foto), que atuou da construção civil ao setor primário, tendo construído condomínios de luxo, como Ephigênio Sales e Riviera da Ponta Negra
O empresário Otávio Raman Neves, dono, de várias empresas, incluindo o jornal Em Tempo, morreu em São Paulo, na madrugada desta terça-feira (6).
Ele travou uma luta árdua pela vida na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Villa Nova Star, contra a Covid-19 desde março deste ano. Entretanto, acabou não resistindo.
O empresário foi transferido a São Paulo tão logo sentiu sintomas mais significativos e internado no hospital paulista. O quadro teve piora e ele foi para a UTI.
Durante o tratamento, chegou a usar o pulmão artificial, o ECMO, mesmo aparelho usado com o ator Paulo Gustavo.
Otávio Raman costumava dizer que a vida dele era como quem anda de bicicleta: “Se parar de trabalhar, eu caio, como quem anda de bicicleta cai, se parar de pedalar”.
No início da vida empresarial, ainda sem recursos, implorou por uma oportunidade e a única que conseguiu foi de fornecedor de areia para a Prefeitura. Conseguiu um caminhão velho e trabalhava 24 horas por dia, levando carradas de areia. E chegou a posto privilegiado no grupo político do ex-governador Amazonino Mendes.
Se tornou dono da construtora Exata, uma das mais importantes do Estado, na década de 90. Na campanha de Amazonino para prefeito de Manaus, em 1992, foi o principal financiador. Ficou com um pequeno apartamento, onde morava, vendendo todo o resto do patrimônio. Aquele pleito, com o grupo enfrentando Arthur Virgílio e Gilberto Mestrinho, prefeito e governador, respectivamente, foi um marco na política estadual.
Com a vitória em 1992, Amazonino construiu as bases para se tornar governador, vencendo em 1994, deixando na Prefeitura Eduardo Braga. Os dois se revezaram no governo e o grupo que formaram só foi derrotado em 2018, pelo atual governador, Wilson Lima.
No ramo da produção rural, o empresário adquiriu um latifúndio, no KM-078 da rodovia Manaus-Manacapuru (AM-070). Criou jacarés e pirarucus, de cuja espécie chegou a ter mais de 30 mil unidades, acima dos 18 quilos. Mas se desfez da criação, desgostoso com as dificuldades do setor.
No ramo da construção civil, onde criou a Civilcorp, firmando parceria com a multinacional Gafisa, construiu condomínios que se tornaram famosos. Entre eles estão Ephigênio Sales, Riviera da Ponta Negra, Praia dos Passarinhos, Marina Rio Belo e Tropical Business.
Chamou os amigos, quando começou a venda de lotes do Ephigênio Sales, anunciando que comprassem logo porque aquele seria “igual ou melhor que o Jardim das Américas”. O lote custava R$ 70 mil. Hoje, nenhum deles é vendido por menos de R$ 1,5 milhão.
Otávio, nos últimos anos, atuava como “bombeiro”. Amigo dos amigos, ele intermediava de bate-bocas públicos a conflitos familiares. “Ninguém ganha nada com isso”, era seu mote. “Eles estavam brigando por besteira”, dizia.
Um desses conflitos era entre a família Hauache e o jornalista Ronaldo Tiradentes. Eles eram donos do canal de TV que hoje é a TV Em Tempo ou Norte TV. Ronaldo tinha a maioria da propriedade, mas Abdul Hauache administrava a empresa. Otávio conseguiu conciliá-los comprando o canal, cuja propriedade hoje divide com o empresário Sérgio Bringel.
Otávio Raman deixa muitos amigos. Conquistá-los foi o hobby a que mais se dedicou nos últimos tempos.