18/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pazuello fará defesa oral ao Exército até 10 de junho

Publicado em 01 de junho, 2021

Pazuello fará defesa oral ao Exército até 10 de junho

Pazuello fará defesa oral ao Exército até 10 de junho. Foto: Divulgação

O general Saúde Eduardo Pazuello deve apresentar a sua defesa oral ao comandante do Exército, general Paulo Sergio Nogueira, na próxima semana, até o dia 10. Ele deve fazer a apresentação pessoalmente, no Comando do Exército, em Brasília. O ex-ministro da Saúde está respondendo a uma apuração disciplinar depois que participou de um ato político em favor do presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, no último dia 23.

O Regulamento Disciplinar (RD) da Arma prevê, no artigo 57, que o militar da ativa — caso de Pazuello — não pode se manifestar publicamente “sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária”.

Pazuello

A oitiva presencial está dentro das regras da apuração de transgressão disciplinar. É prerrogativa do comandante optar por convocar Pazuello, que já enviou sua explicação por escrito. Paulo Sergio Nogueira pode, agora, solicitar mais esclarecimentos, segundo oficiais a par do caso.

Uma avaliação corrente na caserna é a de que o comandante pode, ainda, optar por não tornar pública sua deliberação para preservar Pazuello. Ele tem sido aconselhado a não aplicar a punição mais pesada, a prisão disciplinar, para evitar uma escalada de crise com Bolsonaro, que quer blindar o ex-ministro da Saúde.
Depois de notificado, o general tinha 72 horas para apresentar a defesa escrita, o que foi feito na última sexta-feira. Na manifestação, afirmou que não cometeu transgressão ao participar do ato político com o presidente. Ao remeter as argumentações, começou a correr o prazo de oito dias úteis para a audiência, momento em que poderá se justificar oralmente. Com o feriado nesta próxima quinta-feira, Pazuello ganhou mais um dia, apesar de a audiência ainda não estar com a data fechada.

Envelope lacrado

A defesa chegou em envelope lacrado ao gabinete do comandante, quando Paulo Sérgio Nogueira estava na Amazônia acompanhando uma agenda do presidente, ao lado dos ministros da Defesa, Walter Braga Netto, e da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, ambos generais da reserva.

Na viagem à floresta, Bolsonaro fez afagos aos militares e disse que os “respeita”. Depois, aproveitou sua live nas redes sociais para antecipar a linha de defesa de Pazuello e deixar claro que não deseja ver o “nosso gordinho” — como chamou o ex-ministro no alto do carro de som — punido. Segundo a argumentação do Planalto, o passeio de motocicleta em apoio a Bolsonaro no Rio e o discurso não seriam uma manifestação política, porque o presidente está desfiliado de partidos. O mesmo alega Pazuello.

A presença de mais integrantes do alto comando do Exército no julgamento é uma decisão do comandante. Internamente, existe o entendimento por parte de muitos militares de que o ex-ministro precisa ser punido e vêm cobrando isso do comandante.

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