
O reconhecimento é uma das atividades do Movimento Mulheres e Meninas na Ciência, desenvolvido pela Fapeam, para estimular uma maior participação desse público na ciência. Foto: Érico Xavier/Fapeam/Divulgação
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) realizou de forma remota, nesta quinta-feira (11), a Premiação Mulheres e Meninas na Ciência do Programa Ciência na Escola (PCE). A ação pioneira visa valorizar projetos desenvolvidos por professoras e alunas da educação básica de escolas estaduais do Amazonas e municipais de Manaus.
O reconhecimento é uma das atividades do Movimento Mulheres e Meninas na Ciência, desenvolvido pela Fapeam, para estimular uma maior participação desse público na ciência. Segundo a Unesco, as mulheres ainda têm pouca participação na ciência: 28% dos pesquisadores no mundo são mulheres.
Durante o evento, 39 projetos coordenados por professoras em escolas da capital e interior do Amazonas, no âmbito do PCE- Edital Nº 003/2019, foram premiados. Destes, 31 foram desenvolvidos em diferentes áreas do conhecimento e receberam certificado de menção honrosa às coordenadoras, bolsistas e escolas.
Houve também um destaque para os oito trabalhos realizados nas áreas de ciências exatas e da terra, onde há desequilíbrio de gêneros entre coordenadores de projetos de pesquisa. Cada coordenadora receberá um troféu, cada bolsista uma medalha e a escola uma placa de menção honrosa pelo projeto desenvolvido.

Márcia Perales, diretora-presidente da Fapeam, destacou que 590 projetos foram implementados em Manaus e em 26 municípios no âmbito do PCE 2019. Foto: Reprodução
A diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales, destacou que 590 projetos foram implementados em Manaus e em 26 municípios no âmbito do PCE 2019. Desses, 273 professores tiveram os relatórios finais aprovados sem ressalva, dentre esses 39 coordenados por mulheres com a participação de bolsistas meninas.
“Essa é uma ação de reconhecimento de projetos desenvolvidos por mulheres e meninas na ciência, como uma forma efetiva de contribuir para o incentivo da participação feminina na área da ciência, tecnologia e inovação, por meio do desenvolvimento de projetos de pesquisas nas diversas áreas do conhecimento”, enfatizou.
Para o secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Jório Veiga, o momento é de celebração. “É uma satisfação participar desta ação junto à Fapeam, que traz por meio desse projeto o estímulo a essas meninas que querem se desenvolver na ciência e precisam das mulheres envolvidas. Parabéns a todas vocês que participam desses projetos”, disse.
A secretária executiva adjunta da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc-AM), na capital, Arlete Mendonça, disse que incentivar ações que impulsionam as mulheres e meninas ao acesso integral à ciência, são papeis essenciais para a construção de uma sociedade mais igualitária. “Destaco a importância desta parceria, que já trouxe diversos frutos e tornou-se referência nacional ao levar a alfabetização científica para estudantes da rede pública de ensino. Trata-se do PCE, que já possibilitou a inserção de milhares estudantes do Amazonas no mundo científico”, destacou a secretária.
O titular da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Pauderney Avelino, parabenizou as professoras e alunas premiadas e se congratulou com a Fapeam pela iniciativa. “Tenho certeza que esse programa que está premiando diversos projetos, que estão na linha de frente, será objeto de mais estudos. Por isso, acredito que iniciativas como essa só vêm a contribuir para o engrandecimento do nosso Estado”.

“Tenho certeza que esse programa que está premiando diversos projetos, que estão na linha de frente, será objeto de mais estudos”, disse o titular da Semed, Pauderney Avelino. Foto: Reprodução
Desenvolvido no município de Benjamin Constant, o projeto coordenado pela professora Vanessa Angulo Barros, na Escola Estadual Imaculada Conceição, ficou entre os oito projetos destaques premiados nas áreas de Ciências Exatas e da Terra. Durante o projeto, foi feita análise do vinagre, com base nos padrões estabelecidos para serem comercializados no Brasil, um deles o teor de acidez, em três marcas de vinagres vendidas na tríplice fronteira Brasil, Peru e Colômbia do município, com intuito de identificar se os produtos atendem às normas estabelecidas ou se haviam passado por alterações. A atividade atraiu os alunos, despertando interesse para aulas de química.
Outro projeto desenvolvido também nas áreas de Ciências e Exatas e da Terra foi coordenado pela professora Kleid Melo, que para atrair a atenção dos alunos e deixar as aulas mais dinâmicas na disciplina de matemática, apostou na utilização de um aplicativo, o Kahoot, ferramenta de ensino gratuita que incentiva o aluno a estudar e também a competir, estimulando o conhecimento adquirido na sala de aula.
O projeto foi realizado no âmbito do PCE, edital 003/2019, com 45 alunos, do ensino fundamental II, da Escola Estadual Profª Leonilla Marinho, em Manaus.
Dentre os projetos que se destacaram também está o desenvolvido pela professora Luana Lima nas áreas de linguística, letras e artes, que utilizou a música como instrumento inclusivo no ensino da língua inglesa. Desenvolvido na Escola Municipal Professor Waldir Garcia, zona Centro-Sul, o projeto buscou trazer novas metodologias para facilitar o aprendizado da língua, além de buscar a inclusão dos estudantes refugiados (haitianos e venezuelanos), bem como os estudantes brasileiros com dificuldade de aprendizagem no ensino da língua inglesa.
“A utilização dos aparelhos celulares como ferramenta de ensino e aprendizagem por meio da criação de vídeos”, da escola municipal Ana Mota Braga, realizado pela professora Heloíza Braz, com participação das alunas Letícia Pereira, Carla Vieira e Ticiane Batista.
“Manifestações folclóricas e culturais do Estado do Amazonas: sob o olhar do EJA”, da professora Núbia Pantoja, com as bolsistas Andresa do Nascimento, Davina Maciel e Jociane Corre, da escola municipal Rodolpho Valle.
“Trabalho e trabalhadores na zona Leste de Manaus através de câmeras de celulares”, da escola municipal Carolina Perolina, com a professora Cláudia Barros e as estudantes Raquel Beatriz e Raissa Lima.
“A música como instrumento inclusivo no ensino da Língua Inglesa na escola Waldir Garcia: diversidade no contexto amazônico”, da professora Luana Lima, em conjunto com as estudantes Maria Luiza de Aquino, Layanne do Vale e Sarah Guimarães.
“Ciência interativa: simulação e análise das consequências de uma gravidez na adolescência”, realizado na escola municipal Maria Auxiliadora pela professora Cássia Daniele Santana e as bolsistas Kelly dos Santos, Emilly Lopes e Daniele Paiva;
“Mondrian: neoplasticismo como inspiração na moda”, da professora Carina Dias e alunas Yasmin Santos, Valéria Lima e Gabriela Silva de Souza, da escola municipal Antônia Pereira.
O PCE é um programa pioneiro no país, criado pela Fapeam e desenvolvido em parceria com a Seduc e a Semed. Em 2019, em edição especial, em comemoração aos 15 anos do Programa, a Edição de Ouro, recebeu novos incentivos como o aumento no número de projetos e o valor da bolsa para estudante que saiu de R$ 120 (em 2018) para R$ 150. Para professores a bolsa saltou de R$ 461 (em 2018) para R$ 560.
Na próxima segunda-feira (15), a Fapeam lançará o edital do PCE Edição 2021. Uma oportunidade para professores da educação básica submeterem projetos de pesquisas a serem desenvolvidos no âmbito escolar.