10/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Recém-nascida com cardiopatia rara passa por cirurgia no Hospital Francisca Mendes

Publicado em 09 de março, 2021

O bebê, uma menina de 36 semanas de gestação, nasceu com ectopia cordis, uma má-formação congênita caracterizada pela localização do coração fora da cavidade torácica. Foto: Divulgação/SES-AM

O Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM) realizou uma cirurgia cardíaca em uma criança recém-nascida com anomalia rara no coração. O bebê, uma menina de 36 semanas de gestação, nasceu com ectopia cordis, uma má-formação congênita rara caracterizada pela localização do coração fora da cavidade torácica. O procedimento foi realizado na manhã de segunda-feira (8).

O atendimento à mãe e à recém-nascida envolveu cerca de 30 profissionais de saúde, entre obstetras, pediatras, cirurgiões cardíacos, anestesistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem, conforme alinhamento entre o hospital e a maternidade Nazira Daou. O parto e o procedimento cirúrgico na recém-nascida aconteceram no centro cirúrgico do Hospital Francisca Mendes.

Desde o início da gravidez, mãe e bebê foram acompanhados pela equipe do ambulatório de alto risco da maternidade Nazira Daou e pela equipe de cardiopediatria do Hospital Francisca Mendes. As unidades funcionam num mesmo complexo hospitalar no bairro Cidade Nova, zona Norte.

“A maternidade dispõe de pré-natal de alto risco, onde essa paciente fazia acompanhamento, e tão logo foi detectada a anomalia cardíaca do feto, ela foi direcionada para a cardiopediatria do Francisca Mendes. Posteriormente, as equipes médicas das unidades se reuniram para estudo do caso e definição da logística necessária para a realização dos procedimentos”.

Membrana de proteção

Após o parto, a bebê passou por um procedimento para implantação de uma membrana de proteção em torno do coração, com a finalidade de evitar infecções, principal fator de risco para a vida de bebês que nascem com cardiopatia.

“Logo que essa criança nasceu, ela foi levada para uma outra sala de cirurgia para a realização do procedimento. Por ser uma doença muito rara e desafiadora para a medicina, nesse primeiro procedimento cirúrgico nós usamos uma membrana para recobrir o coração e outros órgãos para evitar contágios, e assim fazer o processo de avaliação para programar as novas fases do tratamento”, declarou o cirurgião cardíaco Fausto Pina.

Foto: Divulgação/SES-AM

Acompanhamento

Após o nascimento, a bebê vai permanecer internada na UTI infantil, sendo acompanhada pela equipe de cardiologia pediátrica do HUFM para realizar exames.

“Estamos estabilizando esse bebê que já passou por um procedimento e agora vai passar por uma série de exames. Vamos fazer angiotomografia para que a gente possa conhecer a parte pulmonar, a parte abdominal, para fechar o processo e decidir com a equipe multiprofissional os próximos passos de intervenção cardíaca”, destaca a cardiologista pediátrica Suely Telles.

A médica destaca ainda que o fato do processo de parto e primeiro atendimento da recém-nascida terem acontecido no mesmo hospital, foi de fundamental importância para a tomada de decisão quanto aos próximos passos do tratamento. “Ela vai passar por novos exames para que possamos saber quais são os outros defeitos no coração, e em 48 horas já vamos ter a decisão de qual caminho seguir em relação ao futuro dessa criança”.

Avanços

A secretária adjunta de políticas de saúde da SES-AM e responsável pela gestão do Hospital Francisca Mendes, Nayara Maksoud, explicou os avanços da unidade na cardiopediatria. “Uma das áreas de importância para o Francisca Mendes é a cardiopediatria. Sendo assim, o nosso intuito é fazer com que a cardiopediatria seja cada vez melhor estruturada, ofertando à população mais do que ela sempre ofertou e a partir da detecção precoce da cardiopatia fetal realizada aqui no Francisca Mendes, junto com a maternidade Nazira Daou, para que possamos atuar no momento certo, de forma precoce, para que as crianças cardiopatas tenham uma melhor expectativa de vida”.

O hospital, referência no tratamento de doenças cardiovasculares na rede pública de saúde, está sob a gerência da SES-AM desde junho de 2020, quando se encerrou o contrato com a Fundação de Apoio Institucional Rio Solimões (Unisol), responsável pela administração da unidade por 17 anos.

Desde então, a secretaria trabalha na reestruturação do hospital e no plano para que ele seja transformado em fundação. A mudança faz parte das ações a serem implementadas pelo Governo do Amazonas, no plano de reformulação e modernização da rede de saúde do Estado.

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