02/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Dia da Mulher: profissionais falam do trabalho na linha de frente da Covid-19

Publicado em 08 de março, 2021

Para a enfermeira Renata Afonso, atuar na linha de frente contra a Covid-19 a fez amadurecer como mulher e profissional. Foto: Arthur Castro/Secom/Divulgação

No Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta segunda-feira (8), profissionais de diferentes áreas do Governo do Amazonas contaram um pouco sobre suas trajetórias de vida em um cenário marcado por adaptações, porém, com a esperança de dias melhores. O sentimento de força move a enfermeira Renata Afonso, 34, em uma rotina exaustiva de trabalho. A profissional trabalha há mais de uma década na função e lida com a pressão de cuidar de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital 28 de Agosto, uma das unidades de saúde referência no tratamento da Covid-19 no estado.

Renata afirma que a vocação para cuidar de pessoas sempre existiu e considera o trabalho uma “realização pessoal”, apesar dos cuidados terem triplicado para evitar a contaminação da filha de 6 anos e da mãe idosa em casa. Segundo ela, nenhum profissional de saúde é inabalável e o medo está presente a todo momento. “Tenho medo de levar a contaminação para casa. Tenho muito medo de ter sido falha do cuidado de higiene, de paramentação, de ter tido algum momento que eu tive contato com o vírus e de repente levar esse vírus para casa”.

Ser mulher e atuar na linha de frente, na visão da enfermeira, a fez amadurecer como mulher e como profissional, enxergando cada dia como uma “vitória”. A saudade de ter uma vida normal, mais tranquila, incentiva Renata a continuar trabalhando pelos pacientes. Ser mulher na pandemia, segundo ela, “é para os fortes”.

“Não é fácil e não tem sido. A mulher ganhou um valor na sociedade, no ambiente profissional diferenciado. A gente vem dar o nosso melhor como profissional e volta para casa para dar o melhor como mulher, mãe, filha e isso faz a mulher ser mais fortalecida com certeza, a enfrentar o mundo de uma maneira mais vigorosa”.

Experiente

A coordenadora do Programa Estadual de Imunização da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Isabel Nascimento, 72, tem a missão de orientar uma das operações mais complexas no combate à pandemia do coronavírus, que é a vacinação. Experiência não falta, já que a coordenadora atuou em outras grandes campanhas de imunização desde a década de 1980, como a paralisia infantil e o sarampo. A Covid-19 “assusta”, segundo ela, no entanto, é possível vencer com a união de todos. “A população tem que entender que, mesmo tomando vacina, você tem que continuar com todos os cuidados. São coisas que a população tem que ajudar e se não tomar consciência vamos ficar nisso por muito tempo”, ponderou.

Isabel relembra outra grande parceira que atuou pelo povo amazonense, a ex-diretora da FVS, Rosemary Pinto, vítima de complicações da Covid-19. Considerada uma amiga por Izabel, a coordenadora afirma que “perdeu uma irmã”, mas que a força de Rose motivou outras mulheres a lutarem contra a doença. “Tenho certeza que ela, onde quer que esteja, está sim zelando por nós, porque de certeza ela é uma luz. Continua sendo a luz que estava aqui no nosso estado e muito contribuiu. Ela se foi, mas permanece entre nós”.

Isabel Nascimento já atuou em outras grandes campanhas de imunização desde a década de 1980, como a paralisia infantil e o sarampo. Foto: Arthur Castro/Secom/Divulgação

Ensino

O amor de Raimunda Lima, carinhosamente chamada de “Ray” pelos alunos da Escola Estadual Irmã Gabriele, no bairro Puraquequara, zona Oeste, vai além dos números e da Matemática. Professora há nove anos, a trajetória de Ray muda conforme o tempo passa, saindo da função de auxiliar de serviços gerais para professora de adolescentes de 6º e 7º ano da rede pública.

Ray nunca imaginou ser a protagonista em sala de aula, e desde quando descobriu a vocação, tem se dedicado ao máximo para levar conhecimento aos pequenos. Em tempos de pandemia e mudanças na modalidade de ensino, Ray afirma sentir falta do contato com os alunos e do “olho no olho”.

“Eles representam muitas coisas. Para mim, como profissional, representa eu estar tentando ajudá-los a buscar um futuro melhor. No nosso bairro a situação é complicada, então eu me esforço ao máximo para aquelas crianças que estão ali comigo possam ter um futuro mais na frente, que eu veja aquele rostinho brilhando recebendo um canudo em uma faculdade. Cada rostinho é uma grande alegria. Só a pessoa que vive em sala de aula com aluno é capaz de sentir”.

“No nosso bairro (Puraquequara) a situação é complicada, então eu me esforço ao máximo para aquelas crianças que estão ali comigo possam ter um futuro mais na frente”, afirma a professora Raimunda Lima. Foto: Arthur Castro/Secom/Divulgação

Inimigo invisível

A cabo da Polícia Militar Andreza Medeiros sequer pensava em viver uma pandemia. “A gente imagina que vai trocar tiros, fazer apreensão de pessoas, produtos ilícitos, mas combater o que é invisível, nunca imaginei passar por uma pandemia na vida”, disse.

Assim como os profissionais da saúde, a segurança pública manteve as atividades para garantir o cumprimento da lei e dos decretos do Governo do Estado. A mudança na rotina demandou de Andreza mais tempo no trabalho e, consequentemente, menos tempo em casa com os filhos. Andreza afirma que, na pandemia, o inimigo é invisível.

A cabo da Polícia Militar Andreza Medeiros nunca imaginou que viveria uma pandemia. Foto: Arthur Castro/Secom/Divulgação

“É muito difícil combater o que é invisível, porque esse vírus veio para mudar as nossas vidas. Em todos os setores. A polícia, querendo ou não, somos linha de frente. Tanto é que vários colegas já tombaram, como a gente fala. Isso não é fácil. Ficamos amedrontados, sentimos uma sensação de impotência, mas é pedir a Deus que não aconteça com a gente. Que nós não levemos a doença para dentro de casa”.

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