26/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pastor volta a cemitério, após enfrentar auge da pandemia, e fica impressionado com o que viu

Publicado em 14 de dezembro, 2020

Pastor volta a cemitério, após enfrentar auge da pandemia, e fica impressionado com o que viu

Pastor volta a cemitério, após enfrentar auge da pandemia, e fica impressionado com o que viu. Foto: Divulgação

Sete meses depois do auge da pandemia em Manaus, com explosão de casos e óbitos, entre os meses de abril e maio, o pastor Francismar Ponte Soares, que atua na Igreja Batista Liberdade Central, voltou neste fim de semana a dar expediente no Cemitério Público de Nossa Senhora Aparecida, Parque Tarumã, mais uma vez.

Realizando cultos fúnebres e pregando uma palavra de conforto às famílias enlutadas, após um sepultamento na parte da frente (sepultura antiga), decidiu visitar amigos coveiros e acabou participando de outros sepultamentos. Ao descer ao Vale das Lamentações (quadras 73/74 – que inclui a parte do Covid-19 muito conhecida no ápice da pandemia) ele fiquei impressionado com o que viu e com o que não viu.

Pastor volta

“Não vi os coveiros, as máquinas, e nem espaço para sepultar mais pessoas. As quadras estão completamente cheias, fechadas para novos sepultamentos. Na semana passada os funcionários foram enviados para trabalhar noutras quadras (44 e 49 – próximo do ossuário), sepultando em pequenos espaços que ainda restavam. Na sexta passada fizeram 30 sepultamento, e segundo informações, com mais uma ou duas semanas não haverá mais espaço nessas quadras também. A situação está ficando cada vez mais complicada”.

Espaços concorridos para o descanso em paz. Essa é a visão no cemitério, onde são realizados sepultamentos entre sepulturas antigas e a calçada, em valas até muito rasas, conforme relata o religioso. O local é de piçarra e os coveiros precisam cavar à moda antiga. “Suas mãos estavam calejadas desse trabalho árduo ao sol. Realmente é uma visão muito triste, até para descrever. É aquilo que se pode fazer, quando não se pode fazer mais nada. É o jeitinho brasileiro no cemitério público de Manaus”.

Pandemia

Lembrando que a pandemia ainda não terminou e outros cemitérios públicos mais antigos estão com capacidade máxima, e que além do Covid existem outras causas de mortes, o pastor teme que em pouco tempo o N.S Aparecida se torne manchete negativa mais uma vez: por falta absoluta de espaço físico.

“O próximo prefeito terá mais um grande desafio pela frente: encontrar um novo local para transformar em cemitério público para Manaus. Enquanto isso, as famílias mais desfavorecidas terão que se conformar em sepultar os seus mortos num cantinho improvisado no cemitério, e a administração e os coveiros terão que se virar nos trinta para cumprirem esse trabalho tão importantes para a sociedade”, disse Francimar.

Em maio, o pastor, perto de alcançar 400 cultos, desabafou ao Portal Marcos Santos que nunca havia pensado em expor seu coração a tanta tristeza e tanto sofrimento, por tanto tempo.

Orador

Considerado um dos melhores oradores, entre os pastores evangélicos, Francimar confessa a dificuldade em fazer sermões diferentes, a cada sepultamento. “Confesso que tenho recorrido ao viveiro (sermões antigos)”, relatou à época. As famílias são diferentes, mas os funcionários e o padre são os mesmos.

Para o religioso, quando a pandemia passar, muitos terão seus heróis: “alguns dirão que são os cientistas. Outros que são os profissionais de saúde. Quando e se perguntarem a minha opinião direi que, dentro do contexto onde Deus me permitiu servir, os coveiros e os profissionais da limpeza pública são os meus heróis”, enfatiza.

Francimar lembra que as o período de chuvas e as aglomerações sociais visíveis servem para aumentar o risco à contaminação ao novo coronavírus. “O povo não está respeitando a quarentena como esperado”, alerta.

 

Leia o relato do pastor na íntegra:

CEMITÉRIO LOTADO!!

Estive no Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida (mais uma vez), realizando cultos fúnebres e pregando uma palavra de conforto às famílias enlutadas. Após um sepultamento na parte da frente (sepultura antiga), decidi visitar meus amigos coveiros e acabei participando de outros sepultamentos. Ao descer ao Vale das Lamentações (quadras 73/74 – que inclui a parte do covid-19 muito conhecida no ápice da pandemia) fiquei impressionado com o que vi e com o que não vi.
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Não vi os coveiros, as máquinas, e nem espaço para sepultar mais pessoas. As quadras estão completamente cheias, fechadas para novos sepultamentos. Na semana passada os funcionários foram enviados para trabalhar noutras quadras (44 e 49 – próximo do ossuário), sepultando em pequenos espaços que ainda restavam. Na sexta passada fizeram trinta sepultamento, e segundo informações, com mais uma ou duas semanas não haverá mais espaço nessas quadras também. A situação está ficando cada vez mais complicada.
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Vi, noutros sepultamentos que acompanhei hoje (quadra 58), que os caixões estavam sendo sepultados num pequeno espaço entre as sepulturas antigas e a calçada, em valas muito rasas. O local é de piçarra e os coveiros estavam cavando à moda antiga. Suas mãos estavam calejadas desse trabalho árduo ao sol. Realmente é uma visão muito triste, até para descrever. É aquilo que se pode fazer, quando não se pode fazer mais nada. É o jeitinho brasileiro no cemitério público de Manaus.
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Levando-se em consideração que a pandemia ainda não terminou, que os outros cemitérios públicos mais antigos já estão com capacidade máxima, e que além dos mortos por covid-19 temos várias outras causas de mortes, se algo não for feito em caráter de urgência, o Cemitério Nossa Senhora Aparecida e a nossa cidade, correm um grande risco de se tornarem manchete negativa mais uma vez.
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O próximo prefeito terá mais um grande desafio pela frente: encontrar um novo local para transformar em cemitério público para Manaus. Enquanto isso, as famílias mais desfavorecidas terão que se conformar em sepultar os seus mortos num cantinho improvisado no cemitério, e a administração e os coveiros terão que se virar nos trinta para cumprirem esse trabalho tão importantes para a sociedade.
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Vai ser um Deus nos acuda!

Francimar Pontes Soares
Pastor da Igreja Batista Liberdade Central

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