06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Amazonino anuncia ‘saída da vida pública’ e depois confessa que quer disputar Assembleia Legislativa

Publicado em 12 de dezembro, 2012

O prefeito Amazonino Mendes chamou a imprensa, hoje, no fim da manhã, para esgrimir números positivos dos quatro anos à frente da Prefeitura de Manaus. “Foi a melhor administração que fiz em toda minha vida pública”, disse, lembrando as três vezes que foi governador e as duas anteriores na Prefeitura de Manaus. Ele também anunciou que está farto da vida pública para, em seguida, confessar um novo projeto: “Tenho pensado em concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa”, disse.

Amazonino estava cercado do secretariado e anunciou a saída da vida pública, mas depois revelou que quer disputar vaga na Assembleia Legislativa. Fotos: Clóvis Miranda/ Semcom/ Divulgação

Disputar vaga no Legislativo, nesse caso estadual, é uma fórmula que os “marqueteiros” costumam indicar para alguém com votos capazes de “puxar” outros integrantes de chapa e incomodar o candidato a chefe do Executivo favorito na disputa, no caso, neste momento, o senador Eduardo Braga.

Amazonino fez a defesa de seu governo. Estava rodeado do secretariado. “Das promessas que fiz durante a campanha para a Prefeitura, em 2008, cumpri cerca de 80% e fiz muitas outras coisas que nem prometi”, disse, queixando-se que as ações judiciais o impediram de realizar mais.

O prefeito elogiou os sistemas de escrituração fiscal Giss OnLine, Giex OnLine e Sig Manaus, implantados na Secretaria Municipal de Economia, Finanças e Controladoria Geral (Semef), procurando desmentir afirmações que teriam saído da Comissão de Transição, sobre possível falência financeira da administração. “Quando eu assumi, não tinha informações nem da folha de pagamento. O orçamento era de R$ 1,5 bilhão e capacidade de investimento de 4,5%. Hoje, essa capacidade aumentou para 14%, em um orçamento de R$ 3,2 bilhões”, afirmou.

Na educação destacou a recuperação, ampliação ou melhorias em 210 unidades educacionais. Outras 21 escolas ainda estão em fase de conclusão. Ressaltou também a política de valorização dos profissionais da educação e o programa Bolsa Universidade, que beneficia 39.292 alunos e busca a contrapartida deles em ações sociais.

Na saúde, Amazonino disse que, no início do mandato, apenas um terço das unidades funcionava plenamente e, garante, hoje, 100% funcionam e tiveram a estrutura ampliada. Os quatro laboratórios construídos com capacidade total de realização de 5 milhões de exames/ano, implantação das Carretas da Mulher, Odontológicas, Médico Ambulatoriais e o Programa Nutricional Leite do Meu Filho, que atende 80 mil crianças de 0 a 5 anos e está sendo estudado pela Unesco, foram também lembrados.

O prefeito, relembrando o velho estilo “cacique”, criticou a demora dos vereadores em discutir e aprovar o Plano Diretor que foi elaborado por sua administração. “Manaus está cheia de donos. Se você vai fazer uma intervenção em uma rua, que vai atrapalhar alguém poderoso, essa pessoa vai fazer valer o seu poder. Elaboramos um Plano Diretor e que já está na Câmara há muito tempo. Lá não tem que discutir mais nada, tem é que votar, pois quem discute é o Executivo e nós fizemos esse papel”, disse.

O velho estilo “cacique” apareceu nas críticas às ações judiciais, que teriam impedido mais realizações, e à demora na aprovação do Plano Diretor de Manaus: “Não tem que discutir mais nada. Quem discute é o Executivo (ele)”, disse.

O “Negão”, como gosta de ser chamado, revelou que o problema do transporte coletivo é difícil porque há 500 mil meias-passagens consumidas diariamente e o transporte executivo “não tem regras nem licitação ou investimentos”. “Hoje, temos a frota mais nova do país, mas o problema continua grave. Se não fossem eles (executivos), não teria porque falarmos de aumento de tarifa. Por várias vezes tentei resolver o problema e só não consegui porque eles estão sempre amparados por liminar. O aumento é necessário? É. Mas não sou eu, no final de mandato, quem vai dar e nem o Artur (Neto) que vai começar o mandato em janeiro”, ressaltou.

Amazonino afirmou que construiu 364 obras, entre escolas, unidades de saúde, viaduto, Ponta Negra e outros. As ações chegaram a 14 mil ruas mas, segundo o prefeito, o clima chuvoso e a falta de drenagem colaboram para o surgimento de buracos, exigindo um serviço permanente. Ele queixou-se também da falta de repasse de verbas do Governo Federal, como uma das principais causas pela não conclusão de obras importantes. “Na Zona Norte estamos com 90% de diversas obras concluídas, mas o governo não nos repassou o recurso firmado, R$ 38 milhões. Da Ponta Negra, ainda faltam R$ 8 milhões do Ministério do Turismo”.

Amazonino estará, na próxima semana, na TV Tiradentes, quando promete falar muito mais, em análise dos quatro anos da administração dele e da política estadual.

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