
Adesão ao movimento está “muito boa”, segundo sindicato. Foto: Divulgação/Sindicato dos Correios no Amazonas
Parte dos funcionários dos Correios no Amazonas completou três dias de greve, nesta quinta-feira (20/8). O presidente do Sindicato dos Correios no Estado, Luis Ribeiro, disse que os serviços de entrega estão prejudicados. A categoria aguarda uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para decidir sobre o fim do movimento.
Ribeiro estima que o Amazonas tenha 900 trabalhadores. Sem especificar números, ele disse que a adesão à greve está “muito boa” no Estado. “Hoje, em torno de 140 trabalhadores assinaram a nossa lista de presença”, afirmou.
A greve é nacional, e os trabalhadores do Amazonas aderiram ao movimento na última terça-feira (18/8).
Segundo Ribeiro, a empresa revogou o atual Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que, por decisão da Justiça do Trabalho, deveria vigorar até 2021. Ele afirmou que o ministrou Dias Toffoli, presidente do STF, decidiu reduzir a vigência do acordo para um ano. “O julgamento no STF tem prazo para terminar amanhã [sexta-feira, 21]. Empurraram a gente para uma greve. Infelizmente, tivemos que ir para o movimento. Se os ministros votarem com o Toffoli, vamos continuar”, destacou.
De acordo com Luis Ribeiro, a greve compromete os serviços do Centro de Entrega de Encomendas (CEE), já que os trabalhadores que continuam na ativa ficam sobrecarregados com o excesso de encomendas. “Queria pedir a compreensão da sociedade. Nós temos comprometimento com o nosso trabalho e nossas famílias”, disse o presidente do Sindicato dos Correios no Amazonas.
O movimento nacional começou na noite de segunda-feira (17/8), e é por tempo indeterminado.
Na terça, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect) informou à Agência Brasil que parte dos trabalhadores decidiu cruzar os braços em protesto contra a proposta de privatização da estatal e pela manutenção de benefícios trabalhistas.
Em nota, a federação sindical afirmou que dirigentes sindicais vinham tentando negociar as reivindicações dos trabalhadores com a direção da empresa desde o início de julho. “No entanto, além de se negar a negociar, a diretoria surpreendeu a categoria ao revogar o atual Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que estaria em vigor até 2021”, sustenta a federação, acrescentado que, com a suspensão do ACT, 70 cláusulas foram revogadas unilateralmente.
De acordo com a Fentect, entre os benefícios suspensos com a decisão da empresa estão o vale alimentação; auxílio creche; adicional de risco de 30%; licença maternidade de 180 dias; indenização por morte; auxílio para filhos com necessidades especiais; pagamento de adicional noturno e horas extras, entre outros.
Os trabalhadores também temem pela possibilidade de privatização dos Correios. E lembram que, para minimizar os riscos de contágio pelo novo coronavírus, tiveram que recorrer à Justiça a fim de garantir o fornecimento de equipamentos de segurança, álcool em gel, testagem e afastamento dos empregados que fazem parte de algum grupo de risco, bem como daqueles que moram com crianças em idade escolar ou com outras pessoas que integram algum grupo de risco.
“A direção da ECT buscou essa greve. Retirou direitos em plena pandemia e empurrou milhares de trabalhadores a uma greve na pior crise que o país vive”, afirma o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, em nota divulgada pela federação. “Lutamos pelo justo. Lutamos para que as nossas vidas e empregos sejam preservados”, disse.
Em nota enviada ontem (19/8) à redação, os Correios informaram que a rede de atendimento da empresa está aberta em todo o país, com a oferta do portfólio completo de serviços e produtos da empresa.
Segundo a instituição, levantamento parcial, realizado na manhã de ontem, mostra que 83% dos 99 mil empregados prosseguem trabalhando regularmente.
“Nas agências, serviços como consulta Limpa Nome Serasa, Achados e Perdidos, e agora, mais recentemente, a consulta para o Auxílio Emergencial, estão disponíveis à população. A postagem de cartas e encomendas, inclusive SEDEX e PAC, continua sendo realizada e as entregas estão ocorrendo em todos os municípios”, informou.
A empresa afirmou que os índices de qualidade estão sendo monitorados e que está atuando para reforçar o fluxo de entregas.
“Para minimizar os impactos à população, diante a paralisação parcial dos empregados, a empresa reitera que já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas”, disse.
Para mais informações, os clientes podem entrar em contato pelos telefones 3003-0100 e 0800 725 0100 ou pelo endereço https://apps2.correios.com.br/faleconosco/app/index.php.
Os Correios ressaltaram, ainda, que “os trabalhadores continuam tendo acesso ao benefício do Auxílio-creche, para dependentes com até 5 anos de idade. Os tíquetes refeição e alimentação também permanecem sendo pagos, conforme previsto na legislação que rege o tema, sendo as quantidades adequadas aos dias úteis no mês, de acordo com a jornada de cada empregado: 22 tíquetes para quem trabalha de segunda a sexta-feira e 26 tíquetes para os empregados que trabalham inclusive aos sábados ou domingos”.