17/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Plenário do CNJ mantém afastamento de desembargadora do TJAM acusada de favorecer facção

Publicado em 30 de julho, 2020

Plenário do CNJ mantém afastamento de desembargadora do TJAM acusada de favorecer facção

Plenário do CNJ mantém afastamento de desembargadora do TJAM acusada de favorecer facção. Foto: Divulgação

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, nesta quarta-feira (29/7), instaurar Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar a conduta da desembargadora Encarnação das Graças Sampaio Salgado, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

O procedimento vai averiguar suposta concessão irregular de liminares em diversos plantões, somado aos vestígios de que elas foram deferidas por motivos escusos. Entre os motivos está a suspeita de ligação para beneficiar uma facção criminosa no Estado, a Família do Norte (FDN).

Plenário

A decisão do colegiado foi unânime e seguiu o entendimento do ministro Humberto Martins, corregedor nacional de Justiça e relator, no sentido de que a desembargadora incorreu, em tese, inclusive em crimes de corrupção passiva.

Segundo Martins, o número de processos distribuídos à magistrada e as concessões de liminares por ela durante os plantões fogem do padrão dos outros desembargadores. “Essas questões só poderão ser mais bem esclarecidas com o devido aprofundamento da investigação, tarefa a ser exercida por meio do devido processo administrativo disciplinar”, afirmou o ministro.

Fatos graves

Além da abertura do PAD, o corregedor nacional realçou a necessidade de afastamento da desembargadora de suas funções, pois os fatos são graves e lançam fundadas dúvidas quanto à lisura e imparcialidade sobre as decisões em geral por ela proferidas, com reflexos, inclusive, para eventuais futuras decisões.

Segundo ele, a medida tem o objetivo de preservar a dignidade, a legitimidade e a credibilidade do Poder Judiciário ,“bem como a instrução criminal, uma vez que as principais testemunhas são servidores, advogados e partes, que estão sujeitos ao temor referencial do cargo por ela ocupado”.

O caso

A magistrada Encarnação das Graças foi afastada em junho de 2016, conforme decisão contida no processo nº 2015/0303929-3, do STJ. Encarnação das Graças é investigada pela Polícia Federal dentro da Operação La Muralla.

A operação apura esquema de venda de alvarás de solturas e prisões domiciliares para traficantes no Amazonas. A FDN é envolvida em uma série de assassinatos, massacre em presídios do Amazonas, roubos e tráfico de drogas.

As informações fazem parte do processo, que corre em segredo de Justiça e tem denúncia do Ministério Público Federal. Mesmo afastada do TJAM, a magistrada continuava a receber sua remuneração mensal, no valor de R$ 30.471,11, além de verbas indenizatórias previstas em lei.

Atualmente, o subsídio mensal dos desembargadores é de R$ 35.462,22, mas tem deduções e verbas indenizatórias, o que pode variar de um mês a outro.

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