
Yasmim Vitória Garcia Rocha morreu após tiro. Fotos: Divulgação
Amigos e familiares contestam a versão contada por Roberto Siqueira Junior, de 19 anos, padrasto suspeito de matar Yasmim Vitória Garcia Rocha, de três anos de idade. Uma testemunha, que não quis ser identificada, afirmou que o tiro que matou a criança não foi acidental. A testemunha relatou que o padrasto tinha ciúmes e fazia constantes ameaças à criança. “Ele não gostava dela”, disse. A declaração foi dada à imprensa na manhã desta terça-feira (21/7), durante o velório da menina, que acontece desde as 11h, na rua Juriti, bairro Campos Sales, zona Oeste de Manaus. O padrasto diz que o tiro foi acidental.
Yasmim morreu horas após ser baleada enquanto o padrasto manuseava uma arma caseira. O fato aconteceu na tarde desta segunda-feira (20/7), na casa em que a vítima estava com a mãe, situada no ramal da Anaconda, chácara Bom Sossego, bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus.
A testemunha que deu detalhes sobre o tratamento que o padastro dispensava à menina é amiga da família. Ela estava na casa, no Tarumã, na hora em que o tiro foi disparado. A mulher contou que passou óleo corporal sobre a perna de Yasmim, momentos antes do disparo. Na ocasião, a menina teria contado que o padrasto não gostava dela.
“Ele não gostava dela. Certa vez, ele chegou a ameaçar a criança com terçado. A mãe viu, e pediu para que ele parasse com aquilo. Roberto disse que não sabia que arma estava carregada, mas ele sabia sim”, afirmou a testemunha.
Quando a testemunha foi lavar as mãos para retirar o óleo, houve o disparo. Segundo a mulher, depois do tiro, o padrasto se mostrou abalado e, por conta disso, se negou a socorrer a criança. A testemunha disse que, ao ver a filha sagrando, a mãe de Yasmim desmaiou. Ela está grávida de Roberto.
Foi a amiga quem socorreu a menina, e a levou para a Unidade de Pronto Atendimento (SPA) do Campos Sales, na zona Oeste de Manaus. Posteriormente, Yasmim foi transferida para o Pronto-Socorro da Criança, na Compensa, onde morreu por volta das 19h30. A menina foi atingida com um único tiro na região do umbigo.
A avó materna da criança acionou a polícia. Ela também chegou a afirmar que o tiro pode ter sido proposital e que o suspeito não teria um bom relacionamento com a menina.
Um amigo da família, que também esteve no velório, disse que testemunhas viram Roberto apontando a espingarda na direção da criança. O homem afirmou que a versão contada pela irmã do suspeito é fantasiosa e que Yasmin não queria ir para sítio com a mãe.
A irmã do suspeito contou que Roberto manuseava a espingarda caseira, quando a arma disparou, acidentalmente, e atingiu a criança pelas costas na altura do abdômen.
Policiais militares da 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) foram acionados por volta das 14h30. Quando os PMs chegaram ao local, o padrasto da menina se entregou e disse ter atirado contra ela.
O padrasto disse aos policiais que a menina estava brincando no local, quando ele disparou, acidentalmente, uma espingarda caseira, calibre 32, e a atingiu.
O suspeito foi apresentado na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestro (DEHS), onde foi autuado pelo crime de homicídio doloso – quando há intenção de matar.
Segundo a delegada adjunta Marília Campelo, o jovem será encaminhado para a Central de Recebimento e Triagem (CRT) para audiência de custódia e ficará à disposição da Justiça.
David Batista