06/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mapa Social do Corona indica acesso desigual à saúde na pandemia

Publicado em 15 de julho, 2020

Mapa Social do Corona indica acesso desigual à saúde na pandemia

Mapa Social do Corona indica acesso desigual à saúde na pandemia. Foto: Divulgação

A quinta edição do Mapa Social do Corona, lançado na noite de terça-feira (14) pela organização Observatório de Favelas, traz como tema o Acesso Desigual à Saúde no Rio de Janeiro: Diversidades Sanitárias Históricas e Direitos Urgentes à Vida Saudável.

A publicação quinzenal tem como objetivo dar visibilidade aos impactos desiguais da pandemia de covid-19 na cidade e identificar ações urgentes que precisam ser colocadas em prática para enfrentar a crise sanitária. Nesta edição, foram ouvidos profissionais de saúde que atuam nas favelas da Rocinha, Maré e Manguinhos, que falaram sobre as dificuldades enfrentadas pela população destas comunidaders para ter acesso a um direito básico.

Mapa Social

“Buscamos revelar, por meio da voz dos profissionais que atuam em áreas de favelas e da análise espacial da distribuição de equipamentos de saúde, a histórica conformação socioespacial desigual do território carioca. Ests quadro é aprofundado no momento atual pela pandemia da covid-19 e pelas erráticas políticas públicas na área de saúde postas em prática nos últimos anos pelas várias instâncias de governo”, diz o boletim.

De acordo com o mapa, um dos problemas é o fato de as unidades de atenção básica não terem recebido testes no início da crise – atualmente, apenas as pessoas com sintomas aparentes ou dos grupos de maior risco para a covid-19 conseguem ter acesso a eles.

O boletim ressalta que o acesso aos equipamentos de saúde também é difíicil para as populações residente na zona oeste e no extremo da zona norte.

“Estas áreas têm cerceado o acesso tanto aos equipamentos para  atendimento primário a casos de covid-19 quanto a hospitais com disponibilidade de leitos, com respiradores, que atendem pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Somadas, as zona norte e soeste concentram mais de 80% da população carioca, e, paradoxalmente, apresentam as maiores barreiras para o acesso ao tratamento ao novo coronavírus.”

Favelas

O Observatório de Favelas destaca ainda o atendimento a pacientes com sintomas da doença na parte externa das unidades de saúde, sem janelas, nem ventilação adequada, “requisito básico para espaços de recuperação de doenças respiratórias e contagiosas”. Também há relatos dos profissionais que precisam escolher apenas os casos mais graves para tratar, devido à falta de estrutura para acolher todos os pacientes.

O boletim ressalta que os moradores de localidades como Inhaúma, Vicente de Carvalho, Acari, Costa Barros e Anchieta estão há mais de 5 quilômetros de um leito com respirador e precisam andar mais de 30 minutos a pé para chegar a uma unidade e receber o primeiro atendimento de covid-29. Segundo a publicação, os problemas se agravaram desde 2016.

Gastos públicos

“Observamos o congelamento de gastos públicos impactando sobremaneira os investimentos em saúde, assim como a desestruturação da Política Nacional de Atenção Básica, desestimulando a Estratégia de Saúde da Família e reduzindo o número mínimo de agentes comunitários de saúde por equipe”, diz o Mapa Social do Corona.

De acordo com a publicação, na cidade do Rio de Janeiro, 700 mil pessoas tiveram o atendimento em saúde prejudicado por demissões ocorridas no setor entre outubro de 2018 e fevereiro de 2019. Foram desligados nesse período 465 agentes comunitários de saúde, 30 técnicos de enfermagem e 20 enfermeiros, “além de médicos e equipes inteiras de apoio à saúde da família”, diz o levantamento.

Desigualdade

A desigualdade reflete-se nos dados sobre a pandemia: pelos números do Ministério da Saúde, no Brasil, a taxa de letalidade da doença está em 3,8%, enquanto no estado do Rio de Janeir,o a proporção de mortes causadas pela doença sobe para 8,75%, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde.

Na capital, são 65.121 casos confirmados e 7.432 óbitos, o que representa taxa de letalidade de 11,4%. Considerados só os números da covid-19 nas favelas cariocas, a taxa de letalidade vai para 15,8%, com 3.891 casos e 607 óbitos, segundo o painel do Voz das Comunidades.

Agência Brasil

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.