
Números da pandemia no AM, divulgados no boletim de segunda (07/07) deixaram todos de orelha em pé, mas precisam ser melhor estudados. Foto: Agência Petrobras
O boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) mostrou que o Estado teve 2.740 casos confirmados ontem (07/06). O número alarmou muita gente e representa o segundo dia/ recorde da pandemia. O recorde foi no dia 29 de maio, quando o Amazonas teve 2.763 de infectados em 24h. “É preciso entender e então compreender que não há motivo para alarme”, disse o vereador Marcelo Serafim (PSB), que é farmacêutico e estuda os boletins.
Marcelo mostra que, dos 2.740 novos casos, somente 40 foram feitos por RT-PCR, isto é, teste molecular, “padrão ouro” ou “padrão de referência”. É esse teste que detecta se o indivíduo está com a doença naquele momento. O outro método, que diagnosticou os demais casos, o sorológico (IgG e IgM), dá positivo a partir da segunda semana, quando o indivíduo produz anticorpos. A conclusão: 2.700 desses novos casos são de pessoas que já tiveram a doença e passaram a fase aguda.
Outro dado que a informação bruta, do boletim da FVS-AM, não traz também é esclarecido por Marcelo. “Só Coari teve 1.802 desses casos novos. Deve ter sido de testes atrasados”, avalia.
Coari disparou à frente de Manacapuru e agora é o líder em número de casos no interior (9,5 mil contra 7,759 mil). Para chegar à conclusão do vereador é preciso ver os boletins de dois dias da FVS-AM. Na segunda (05/07), Coari tinha 4.263 casos confirmados. Ontem, segundo o documento, alcançou 6.065. A diferença é, portanto, 1.802 novos casos nas 24 horas, contribuindo para rechear de alarme o boletim.
A publicação da FVS-AM tem importância fundamental para os estudos que estão em curso ou que ainda serão feitos sobre a pandemia. É por isso que mesmo números antigos precisam ser publicados e diagnósticos tardios têm validade.
A preocupação com os 2.740 novos casos de segunda-feira é que todos imaginam ter a pandemia encerrado. O trânsito voltou a ser intenso. Os restaurantes estão lotados. A economia gira tentando, desesperadamente, retomar o ritmo e recuperar um pouco do que foi perdido. Teme-se, no meio desse frisson, uma desastrosa segunda onda, como aconteceu na China e em outros países.
A conclusão, porém, até agora, é que a Covid-19 se transferiu para o interior. Manaus teve, nessa mesma segunda-feira do súbito aumento no número de casos, 285 casos novos confirmados. O resultado ainda exige cautela, principalmente de quem está no grupo de risco, mas o pior já passou.
Veja o vídeo do vereador Marcelo Serafim: