
Prefeito de Manaus internado com suspeita de Covid-19, após participar ontem (29/06) da inauguração do Complexo Viário da Constantino Nery (foto). Foto: Márcio James/Semcom
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, 74, foi internado na manhã desta terça (30/01) no hospital Adventista de Manaus. Entrou como “paciente suspeito de Covid-19“, mas os exames ainda não haviam sido conclusivos, até o fechamento desta matéria. A Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) emitirá nota, assim que boletim médico for disponibilizado.
Arthur considera a infecção por coronavírus como fato. “Esse encontro estava mesmo marcado. Até me sinto aliviado. As melhoras acontecem a cada hora. O adversário vai passar vergonha”, disse.
O prefeito resistiu até à infecção da primeira-dama de Manaus, Elizabeth Valeiko. Ela superou o período transmissor e participou de diversos atos da Prefeitura, após a recuperação. Ontem (29/06), durante a inauguração do Complexo Viário Roberto Campos, ele disse a assessores que estava se sentindo “um pouco gripado”. Hoje, ainda cedo, veio a internação.
A pandemia diminuiu significativamente em Manaus e em todo o Amazonas. Entre as 10h de ontem (29/06) e as 10h do dia anterior foram registrados um total de 244 novos casos de infecção, com oito óbitos em 24 horas.
Arthur, apesar de ser asmático desde a infância e da idade, fatores que o colocam em grupo de risco na pandemia, atuou na linha de frente em Manaus. Ele implantou, em 14 dias, em conjunto com o Grupo Samel e a empresa Transire, o Hospital de Campanha Gilberto Novaes. O hospital curou perto de 800 pacientes, sendo 28 indígenas.
Quando surgiu a polêmica Vidas X Economia, discutindo a imposição de isolamento domiciliar ou a imunidade de rebanho, o prefeito ficou com o isolamento. Paralisou as aulas municipais e praticamente todas as demais atividades coletivas na capital.
Diante de declarações do presidente Jair Bolsonaro, a favor do afrouxamento do isolamento, o prefeito praticamente rompeu com ele. Despertou a fúria dos bolsonaristas ao declarar que “o presidente é o maior aliado do coronavírus no Brasil”.
Mais tarde, com a revelação do vídeo de reunião ministerial, no bojo da demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foram explicitados xingamentos de Bolsonaro ao prefeito. Os dois atuaram juntos, na bancada governista do presidente Fernando Henrique, na Câmara Federal. Arthur era o líder e o atual presidente o liderado.
Arthur Virgílio, no auge da pandemia, decidiu pedir ajuda aos países que cobram a preservação da Floresta Amazônica. “É hora de sair do discurso para a prática”, disse. Chegou a apelar para a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, 17 anos, que é autista. Por trás do apelo, a militância do prefeito contra a síndrome. Ele criou em Manaus o Espaço de Atendimento Multidisciplinar ao Autista Amigo Ruy (Eamaar), para tratar portadores. Greta fez um vídeo em apoio à campanha do prefeito.
Ontem, o prefeito inaugurou o que considera “a maior intervenção viária da história de Manaus”, o Complexo Viário Roberto Campos. A obra eliminou sete semáforos que atravancavam o trânsito na Avenida Constantino Nery, confluências com as ruas Pará e João Valério, no Vieiralves. É também novo entroncamento do transporte coletivo na cidade.
Arthur Virgílio é ex-campeão brasileiro e faixa-vermelha de Jiu-Jítsu. Foi líder no Congresso Nacional, como deputado federal, e depois ministro de FHC. Depois se tornou o melhor senador do Brasil, para os congressistas, segundo a ONG Congresso em Foco. “Os métodos de tratamento contra o novo coronavírus evoluíram e a saúde pessoal dele deve ajudá-lo”, disse um dos médicos que o atenderam. Os exames para confirmar a Covid-19 serão concluídos ao longo do dia.
Veja mais notícias em Geral