
Ninguém quer ser coveiro na cidade de Barreirinha e condução da segunda vítima de Covid-19 foi feita em caminhonete da Secretaria Municipal de Saúde (foto), conforme fotos da família
Barreirinha, Município com 32.041 habitantes, vive o drama do combate à pandemia de coronavírus. O prefeito Glênio Seixas decretou o lockdown, ou seja, a paralisação de todas as atividades, desde 16/05. A segunda morte por Covid-19 na cidade, de um idoso, porém, enfrentou um drama: a falta de coveiros.
“A população entrou em pânico e o Município não encontrou pessoas dispostas a exercer tal ofício”, disse o secretario Municipal de Saúde de Barreirinha, Péricles Tavares Vieira Filho. Ele ressalta, em nota, que a divulgação, através de mídias sociais, quanto à letalidade do coronavírus, provocou a dificuldade. “Só agora (terça, 19/05) conseguimos identificar pessoas que se propuseram a ser contratadas”, acrescenta.
A cidade tem uma empresa terceirizada, responsável pelos sepultamentos. Faltou, no entanto, o treinamento de acordo com Norma Técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e norma conjunta da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) e Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). A FVS deu o treinamento para os coveiros agora contratados.
O drama dos coveiros não é só da população barreirinhense. Vem sendo um dos mais dolorosos, em meio à pandemia, no País e no mundo. O presidente Jair Bolsonaro, quando confrontado com o número de mortes pela Covid-19 no Brasil, chegou a dizer: “O que eu posso fazer? Eu não sou coveiro”, despertando manifestações de revolta.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu protocolo para os sepultamentos. Coveiros precisam de treinamento e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) específicos. A OMS recomenda, claramente, que cemitérios recebam covas coletivas para vítimas de Covid-19, em tentativa de evitar contágio. Essas covas produziram imagens que circularam o mundo, nas megalópoles Nova Iorque (EUA) e São Paulo, e até em Manaus.
Barreirinha está localizada no paraná do Ramos, afluente do rio Amazonas. Boletim Susam/FVS, desta quarta (20/05), aponta o Município com 179 notificações de infecção por coronavírus. Desse total, 57 tiveram resultado de exame negativo e 122 foram confirmados.
O Município é conhecido por ser o berço do poeta Thiago de Melo e da maioria dos índios sataré-mawé, que vivem no rio Andirá.
A pandemia de coronavírus, no Amazonas, está se transferindo da capital para o interior. Desde terça (19/05), Manaus tem número de casos confirmados (11.643) menor que o dos outros 61 municípios (12.061).
O Amazonas teve 1.572 novos casos, nas 24 horas entre 10h de terça e 10h de quarta. A capital produziu 592 e o interior quase o dobro, 980. Nenhum Município tem Unidade de Terapia Intensiva (UTI), uma necessidade para pacientes mais graves.
O Comitê de Crise do Governo do Amazonas se reuniu, ontem (20/05), para adotar medidas emergenciais contra a pandemia no interior.