06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Curados de Covid-19, secretário de Meio Ambiente e Durango Duarte descrevem internação

Publicado em 17 de abril, 2020

Curados de Covid-19

Curados de Covid-19, o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Nelsinho Ruiz (direita) e o publicitário Durango Duarte (esquerda)

Um dia, na guerra contra a pandemia de Covid-19, tem sempre o sabor amargo das mortes, mas traz também notícias de pacientes que deixam os hospitais. O secretário municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Semmas), Nelsinho Ruiz, 38, e o publicitário Durango Duarte, 56, receberam alta do hospital Adventista nesta sexta-feira (17/04). Durango ficou dez dias internado e ficou em leito comum. Nelsinho passou 40 dias no hospital. Familiares e amigos chegaram a temer pela vida dele, internado em UTI.

Nelsinho está incomunicável, com a família cuidando do pós-internação. Ele saiu enfraquecido, embora com alto astral. Fez foto com equipe de profissionais da saúde que o atendeu e sinal de positivo, mas ainda em cadeira de rodas.

Durango divulgou um vídeo, que está ao fim desta matéria, revelando a alta médica, após contágio e doença pelo Covid-19.

A diretora da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Rosemary Pinto da Costa, afirma que o vírus se alastra no Amazonas a alta velocidade. O número de infectados no Estado, oficialmente, chegou a 1.809.

O portal foi ouvir Durango Duarte, em busca de detalhes que podem ajudar na batalha contra a pandemia. Ele conta que perdeu 6kg e fala sobre a solidão do quarto de hospital, em isolamento: “É uma zona tênue entre a tristeza e a fé”. Nega que tenha precisado de UTI, como foi fartamente divulgado. E dispara, sobre o uso da cloroquina na cura: “Dou os créditos aos corticoides. A Cloroquina deixa a marca de uma farsa”.

Veja, a seguir, a íntegra da entrevista:

Portal do Marcos Santos – Você já sabe como se infectou?

Durango Duarte – Foi infecção comunitária. Na semana da possível contaminação, eu tentei mapear a quantidade de conversas que tive. O número ficou bem alto. Duzentas pessoas, no mínimo.

 

pms.am – Quando saiu o diagnóstico qual foi sua sensação? Já ouvimos que há pacientes impressionados só com o diagnóstico.

Durango – Meu exame, feito no Lacen (Laboratório Central, da Susam), até hoje não saiu. A sintomatologia observada pelos médicos e, principalmente, as tomografias do tórax davam 100% de certeza da contaminação com Covid-19.

 

pms.am – Como você se sentiu, após a internação?

Durango – Não me assustei. Encarei os fatos. Eu nunca tive a experiência de mais de dois dias em hospitais. É uma zona tênue entre a tristeza e a fé. Tudo passa a ser diferente. Perdi 6kg, em 10 dias.

 

pms.am – Chegou a ser publicado que você foi à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Houve isso? Em algum momento você teve a impressão de que o quadro agravou muito?

Durango – No terceiro dia, minhas taxas e meu índice de oxigenação fizeram que os médicos pensassem na possibilidade de UTI. Mas esse fato nem minha família teve conhecimento. O que falaram é especulação.

 

pms.am – E a questão da solidão, pela falta de contatos e/ou visitas dos familiares? Como você se sentiu em relação a isso?

Durango – O mundo é digital. Superável. Em isolamento, você prefere proteger.

 

pms.am – Clinicamente, quais os sintomas que te levaram a procurar médico? Os básicos, relatados até agora (dor de garganta, coriza e febre) são suficientes para detonar o alerta?

Durango – Os meus primeiros sintomas foram dores nas articulações, dores musculares e baixo índice de oxigenação. Não tive nenhum problema na garganta. Não perdi olfato e nem paladar.

 

pms.am – O que você considera que tenha sido o diferencial na sua cura?

Durango – O tratamento, ele é formado por diversas atitudes, mas dou os créditos aos corticoides que recebi nos últimos três dias. A Cloroquina deixa a marca de uma farsa.

 

pms.am – Quais as recomendações médicas agora? Você precisa guardar quarentena ou eles disseram que o período de transmissão não está mais ativo? Como você está fazendo?

Durango – Vou ficar isolado mais cinco dias, por prevenção. Não vou colocar ninguém em risco. Preciso fazer mais um exame para saber da imunidade. O difícil será conseguir o local.

 

pms.am – Descreva para a gente a sensação de voltar para casa? É mesmo a impressão de alguém que conseguiu sobreviver a uma guerra?

Durango – Estar em casa é se sentir dentro do bunker. Sou otimista. Pior seria um câncer terminal, entre inúmeras outras doenças gravíssimas. Quem fica infectado não pode ter o direito de se abater. É difícil. A tosse é algo indescritível. Como somos um País que não conhece a dor das grandes tragédias, eu não me sinto um soldado herói. No máximo, um sobrevivente da guerra viral e bacteriológica. Que nossos filhos aprendam o que será o futuro.

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