
Crianças pintam ‘escudo’ da PM e brincam no Monte Horebe em reintegração sem incidentes. Foto: Divulgação
Filósofo chinês, estrategista, general e mais conhecido por seu tratado “A Arte da Guerra”, Sun Tzu escreveu há tempos que “para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível”.
Tomando como cenário a reintegração de posse no Monte Horebe, que nas últimas 24 horas ocorre sem intercorrências ou uso de força ou violência, como pode ser comum em momentos de tensão como esses – já relatados, vividos e fotografados dezenas de vezes Brasil e mundo afora -, uma cena chamou atenção na comunidade, mostrando exatamente o que Sun Tzu descrevia.
Crianças e adolescentes brincavam no meio da reintegração de uma área naturalmente degradada, com fama de ser zona vermelha comandada e liderada pelos homens do tráfico, que na dicotomia são a parte do mal; enquanto policiais e forças especiais mantém a ordem e o controle, garantindo justamente a segurança, pela parte do bem e para os cidadãos.
Para a brincadeira, os jovens pintaram escudos de polícia, com símbolos do Batalhão do Choque, uma das forças especiais da Polícia Militar, criada no Amazonas há 18 anos. Em meio à desocupação da área, eles brincam tendo ao fundo os PMs que inspiraram o ato. A assessoria da Secretaria de Segurança Pública (SPP-AM) confirmou que as fotos feitas são de hoje, segundo dia da reintegração.
O comandante do Choque, tenente-coronel Lima Júnior, disse que é importante ter essa reação de crianças que se espelham em exemplos da corporação, como o Batalhão, também fruto da abordagem do grupamento na reintegração, usando mais técnicas de verbalização e de marcar presença. Nenhum disparo de alerta foi dado.
“Mostra esperança e que somos exemplos, os policiais, uma referência para crianças, que não tem só o caminho para o mau, para o crime organizado e para o tráfico. Temos bons exemplos”.
PapelãoOs escudos de pedaços de compensado foram pintados à mão, imitando os usados pelos PMs em combate e em situações de policiamento ostensivo, controle de pessoas e quando é necessário intervenção – situações de distúrbio civil, reintegração de posse, além da manutenção da ordem nos presídios do Estado durante revistas e rebeliões.
As de verdade são de chapas resistentes, de metal. O que não estava visível, num cenário tenso como de uma desocupação de uma das maiores invasões da capital, era o conceito mais simples de que mesmo em meio a um certo caos, falta de estrutura, sem dignidade de moradia, há muito espaço para o sonho e símbolos.
