
Com situação grave de Síndromes Respiratórias e mortes, AM está em alerta para coronavírus. De novembro a janeiro deste ano, foram 2,3 casos da doença por dia. Foto: Divulgação
Enquanto o mundo se mobiliza com planos de contingência, prevenção e estrutura para possíveis surtos de coronavírus, desde novembro do ano passado o Amazonas se antecipou às medidas, preparando a rede estadual e municipal, em razão de situações graves com outras infecções, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
As síndromes registradas no Amazonas são de origem viral, dentre elas Influenza A e B, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Adenovírus, Parainfluenza, Coronavírus e Metapneumovírus.
Dos 216 casos notificados de SRAG, de novembro de 2019 a janeiro deste ano – com uma média de 2,3 casos por dia -, 43 casos foram confirmados para vírus respiratórios. Destes, 41,9% (18) casos confirmados para influenza, com destaque para a ocorrência de 3 casos confirmados por Influenza A (H1N1) e 15 casos de Influenza B.
Dos 25 casos confirmados por outros vírus respiratórios (58,1%), predominou-se a ocorrência de Adenovírus (17 casos) e Vírus Sincicial Respiratório (5 casos), este último mais recorrente em gestantes e crianças menores de 1 ano.
A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) informa que, no total, foram registrados, a partir de novembro, 27 óbitos por SRAG. Desses, nove foram por vírus respiratórios e 18 por outras síndromes respiratórias não virais.
Dos nove óbitos, todos eram residentes de Manaus, sendo quatro causados por adenovírus, três por Influenza B, um por Vírus Sincicial Respiratório (VRS) e um por metapenumovírus.
Ainda em relação aos óbitos, 77% apresentaram pelo menos um fator de risco respiratório e 71% das vítimas eram pacientes idosos.
A diretora-presidente da FVS, Rosemary Costa Pinto, disse que a população não deve entrar em pânico, mas ficar atenta aos sintomas respiratórios, que no coronavírus são semelhantes aos demais sintomas da Influenza: febre, coriza, tosse seca e dificuldade de respirar.
“Se sentir dificuldade de respirar associada a febre e um desses sintomas, busque uma unidade da rede estadual de saúde para uma avaliação médica”, recomendou.
A transmissão do coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.
Portanto, as medidas de prevenção são as mesmas para qualquer síndrome gripal. “Não custa relembrar a importância das lavagens das mãos com água e sabão e usar álcool gel, beber bastante líquido e, se possível, evitar contato com pessoas com sintomas de gripe”, recomenda a diretora-presidente da FVS.
Diante da confirmação pelo Ministério da Saúde (MS) do primeiro caso de infecção no país pelo novo coronavírus (Covid-19), nesta quarta-feira (26/02), a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informa que, assim como os demais estados, o Amazonas está em alerta, porém, preparado para lidar com a nova situação.
O Governo do Amazonas criou, ainda em janeiro, o Comitê Interinstitucional Ampliado de Gestão de Emergência em Saúde Pública para Resposta Rápida aos Vírus Respiratórios, com ênfase no Covid-19, que se reúne todas as quintas-feiras para discutir as diretrizes, conforme orientações do Ministério da Saúde.
Segundo o secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, o Estado já vem se preparando desde novembro e intensificando as ações em função da Síndrome Respiratória Aguda Grave que costuma aumentar no período de chuva.
“Criamos o Comitê com ênfase no coronavírus, que é um vírus novo, mas as medidas de controle são basicamente as mesmas. Então, diante da entrada de um novo vírus, a gente mantém o controle do que já vem sendo feito e fica atento às novas recomendações do Ministério da Saúde”, disse o secretário.
Em relação ao coronavírus, o foco é nas pessoas que nos últimos 14 dias estiveram em algum dos países nomeados pelo Ministério da Saúde como prioritários para a vigilância.
São países com casos registrados de Covid-19, dentre os quais China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Singapura, Tailândia, Austrália, Itália, Alemanha, França, Irã e Emirados Árabes Unidos.
Para o atendimento de casos suspeitos de coronavírus, o Hospital Pronto-Socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz é a unidade de referência no Amazonas. Os casos clínicos identificados serão encaminhados para aquela unidade e tratados lá. As demais unidades da rede estão preparadas para atender as outras síndromes gripais, como Influenza.
Conforme a Susam, notas técnicas com recomendações têm sido encaminhadas para todas as unidades da rede pública e privada da capital e também do interior.
Profissionais que atuam nas principais portas de entrada da rede de urgência e emergência – prontos-socorros, Serviço de Pronto Atendimento (SPA) e Unidades de Pronto Atendimentos (UPA) – foram treinados para atendimento de casos suspeitos de Covid-19, seja através de simulados ou capacitações em serviços. Na próxima semana, haverá um novo treinamento por videoconferência para os profissionais do interior.
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