Há 10 anos o candidato a prefeito de Manaus, Pauderney Avelino (coligação “Renova Manaus”), atuando como deputado federal em Brasília, conseguiu um recurso de R$ 2 milhões para os trabalhos de revitalização e restauração do mercado municipal Adolpho Lisboa. A obra não estava em curso e o resultado é que já se passaram mais de sete anos que o mercado está fechado, em reforma, e a última previsão para sua entrega era dezembro deste ano, mas pelo andar da empreitada a população vai virar o ano sem o Adolpho Lisboa.
Hoje (25) de manhã, o prefeiturável andou pela feira improvisada que abriga os permissionários desde o início da reforma, tendo a companhia do feirante e também candidato a vereador, Alessandro Cascais, do Democratas. Uma grande parte dos vendedores do espaço está há décadas no Adolpho Lisboa e hoje vive dias de muita incerteza, quase desesperança.
“Hoje as coisas não são feitas para durar. Os ingleses fizeram as galerias e o mercado, e essas estruturas continuam aí. Mas desde que começaram a reforma, não conseguem entregar o Adolpho Lisboa de volta à sociedade de Manaus”, falou o feirante Raimundo.
O permissionário Ceará tem sua barraca provisória de venda de camarão, mas a vista não é nada bonita, para as lixeiras e um forte cheiro de lixo que desce da feira da Manaus Moderna. “Estamos revoltados com a situação que trabalhamos, com o descaso com o Centro, com o porto. Manaus não tem nada disso decente. Pra acabar de vez, interditaram o terminal da Matriz, o que espantou ainda mais os clientes da área”, criticou Ceará.
A mesma revolta é compartilhada por Alberto, permissionário do mercadão, que há sete anos vê a obra começar, parar, e nada de conclusão: “Já passamos até por um incêndio aqui fora e ninguém faz nada para mudar isso”. Durante a visita aos feirantes, não havia um trabalhador no mercado. Além dos secos e molhados, a estrutura provisória montada para atender os desalojados do Adolpho Lisboa tem açougue e venda de peixes.
Muitos permissionários são idosos, que há décadas trabalham com o comércio de produtos como ervas medicionais, artigos tradicionais da cultura amazônica, como artesanato indígena, alimentos e frutas. “Eles sonham com a hora de ter o mercado de volta, símbolo do apogeu da borracha, em art noveau. A conclusão da restauração é um dos pontos emergenciais do nosso plano de governo, assim como cuidar do Centro Histórico. Todas as grandes capitais brasileiras têm mercados e feiras bem estabelecidos, organizados e humanizados. Manaus está atrasada e precisa ter ambientes decentes. Vamos fazer isso acontecer, padronizar e investir nos comerciantes”, disse Pauderney.
Símbolo da arquitetura do período de auge da borracha no Amazonas, o Adolpho Lisboa, localizado na rua dos Barés, tem 129 anos. Olhando de fora, não há movimentação que indique que há ação na construção. No projeto de reforma estão limpeza das estruturas metálicas e telhas, retirada de ferrugens e imperfeições, reforma no relógio na fachada do prédio, colocação de azulejo do piso original e iluminação cênica.
Já se vão oito anos, duas administrações municipais e mais de R$ 15 milhões em verbas pública e, até o momento, as portas do mercado continuam fechadas, no cadeado. O símbolo do apogeu da borracha foi construído às margens do rio Negro, pela Bakus & Brisbin, tendo como modelo o mercado francês Les Halles, em Paris. Sua estrutura é de ferro fundido e vidros coloridos. Ele foi o segundo mercado popular construído no Brasil, mas, por hora, está inacessível a todos.
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